Com cota da China, Abiec prevê queda de 10% nas exportações de carne bovina
Brasil atingirá em breve a marca de 50% do volume permitido para o mercado chinês

O cenário recorde das exportações de carne bovina brasileira deve enfrentar um freio considerável no segundo semestre de 2026. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta uma retração de até 10% nos embarques totais para este ano. O motivo central é o esgotamento iminente da cota de exportação para a China, destino que absorve praticamente metade da proteína produzida pelo Brasil.
De acordo com a entidade, o Brasil atingirá em breve a marca de 50% do volume permitido para o mercado chinês. Devido ao tempo logístico de transporte, o esgotamento real dessa cota é esperado para o início de julho, o que forçará uma mudança drástica no ritmo das plantas frigoríficas já nas próximas semanas.
Paralisação dos abates
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, explicouque a estratégia das indústrias precisará ser antecipada para evitar excedentes sem destino garantido. "As indústrias devem paralisar o abate destinado à China entre o final de maio e o início de junho. É isso que importa para nós", afirmou. Para o executivo, o setor entra agora em um "período de cautela".
A dependência do gigante asiático é o ponto principal da crise. Em 2025, dos 3,5 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, cerca de 1,7 milhão tiveram a China como destino. No curto prazo, a avaliação da Abiec é pragmática: não há substituto à altura. Embora mercados como Estados Unidos, Indonésia e Filipinas apresentem potencial de crescimento, o volume absorvido por esses países é insuficiente para compensar a ausência chinesa.
A busca por novos mercados
Diante do gargalo, a Abiec intensificou as articulações com o governo brasileiro para diversificar a pauta de exportações. As frentes de atuação incluem:
- Estados Unidos: negociação para ampliar a cota de importação da carne brasileira.
- Ásia e Europa: tentativas de acelerar acordos com Coreia do Sul, Japão e Turquia. No entanto, entraves sanitários e regulatórios tornam esses processos lentos, sendo o mercado sul-coreano o mais distante de uma conclusão.
Impacto no prato do brasileiro
Com as exportações limitadas e a China temporariamente fora do jogo, a tendência é que o excedente de produção seja redirecionado para o mercado doméstico. Esse aumento na oferta interna pode alterar a dinâmica de preços nos açougues e supermercados, favorecendo o consumo nacional, mas pressionando as margens de lucro dos produtores e frigoríficos que operam com foco no mercado externo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



