Greening: especialistas alertam para aumento do risco da doença em pomares de citros
Entre julho e outubro, aumento das brotações favorece a multiplicação do inseto transmissor da doença, considerada a mais destrutiva da citricultura mundial

O greening, doença considerada a mais devastadora da citricultura no mundo, entra em um dos períodos mais críticos para o manejo. Entre julho e outubro, a emissão de novas brotações nos pomares de laranja, limão e tangerina favorece a multiplicação do psilídeo, inseto responsável pela transmissão da bactéria que causa a doença.
Dependendo da região produtora, essas brotações representam entre 50% e 80% do crescimento anual das plantas.
Com a chegada das chuvas, o processo se intensifica, aumentando o risco de novas infecções e exigindo atenção redobrada dos citricultores.
Monitoramento aponta avanço do inseto
Dados da plataforma Alerta Psilídeo, desenvolvida pelo Fundecitrus, mostram que somente na primeira quinzena de julho houve aumento de 50% na emissão de brotações em relação à quinzena anterior. No mesmo período, as capturas do psilídeo nas armadilhas cresceram 86%, indicando rápida expansão da população do inseto.
De acordo com o engenheiro agrônomo Olavo Bianchi, pesquisador do Fundecitrus, o cenário reforça a necessidade de intensificar o monitoramento dos pomares. "Os dados da plataforma Alerta Psilídeo mostram que somente na primeira quinzena de julho houve um aumento de 50% nas brotações em comparação com a quinzena anterior. Além disso, as capturas do psilídeo nas armadilhas aumentaram 86%, mostrando que a população do inseto também está crescendo rapidamente."
Controle deve ser intensificado
Segundo o especialista, a estratégia mais eficiente para reduzir a disseminação do greening é controlar o inseto transmissor durante a fase de brotação das plantas.
A recomendação é utilizar inseticidas registrados e eficazes para o controle do psilídio, fazer a rotação dos grupos químicos para evitar resistência e garantir aplicações de qualidade, protegendo os pomares durante o período de maior vulnerabilidade. "É importantíssimo redobrar a atenção, utilizar inseticidas registrados e eficazes para o controle do inseto vetor, sempre buscando a rotação dos grupos químicos utilizados e a maior eficiência na aplicação, garantindo a melhor proteção e a sanidade dos pomares", orientou Olavo Bian.
Por que este período é decisivo?
As brotações recém-formadas são o principal alimento do psilídeo e o local preferencial para a transmissão da bactéria causadora do greening. Por isso, especialistas consideram os meses entre julho e outubro decisivos para reduzir a incidência da doença e preservar a produtividade dos pomares. O manejo correto nesse período pode diminuir significativamente o avanço da doença e minimizar os prejuízos para a citricultura brasileira.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



