Preço do café cai até 21% no varejo e estimula consumo no Brasil
Segundo a Abic, retração nas prateleiras e normalização na oferta do grão impulsionam avanço de 2,29% nas vendas do setor até agosto de 2026

O consumidor brasileiro encontrou alívio no bolso ao comprar café nos supermercados neste ano. O preço médio do produto caiu em todas as categorias e estilos no varejo na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2026, com quedas que chegam a mais de 21%. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (22) pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) durante coletiva de imprensa.
O grande destaque do recuo ficou com o café Tradicional/Extraforte, o tipo mais popular nas mesas do país, que teve retração de 21,22% no preço médio por quilograma, caindo de R$ 62,83 para R$ 49,50. O tipo Solúvel também registrou expressiva diminuição (-19,31%), passando de R$ 252,36/kg para R$ 203,64/kg.
A descompressão de valores atingiu do mesmo modo as linhas superiores e artesanais:
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Tradicional / Extraforte: -21,22% (de R$ 62,83 para R$ 49,50/kg)
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Solúvel: -19,31% (de R$ 252,36 para R$ 203,64/kg)
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Superior: -14,37% (de R$ 78,17 para R$ 66,94/kg)
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Gourmet: -13,18% (de R$ 117,92 para R$ 102,38/kg)
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Especial: -10,34% (de R$ 145,17 para R$ 130,16/kg)
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Descafeinado: -4,86% (de R$ 126,17 para R$ 120,04/kg)
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Drip Coffee: -3,38% (de R$ 242,99 para R$ 234,78/kg)
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Cápsulas: -1,39% (de R$ 413,73 para R$ 407,96/kg)
Segundo a Abic, o movimento sinaliza um processo de acomodação e busca por equilíbrio de mercado após a forte volatilidade enfrentada em 2025. Na comparação pontual entre julho e agosto de 2026, as oscilações já demonstraram menor amplitude, confirmando a tendência de estabilização nas prateleiras.
Abastecimento regularizado e avanço nas vendas
A retração nos preços está associada à normalização no suprimento de matéria-prima para os torrefadores. De acordo com o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, o Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI) deixou o estado de "oferta seletiva" observado na virada do ano e retornou aos níveis de normalidade nas variedades arábica e conilon/robusta a partir do fim de maio.
"A partir do mês de junho, existe uma maior tranquilidade no abastecimento por parte da indústria e isso converge com os preços apresentados e com a evolução do consumo", afirmou Inácio.
Com o produto mais acessível, o consumo acumulado de café no varejo registrou alta de 2,29% entre janeiro e agosto de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, somando 13,5 milhões de sacas comercializadas. Somente no segundo quadrimestre (maio a agosto), o crescimento foi de 4,65% (7 milhões de sacas), puxado pelo período de inverno e pela maior adesão do público jovem à bebida.
Inovação no radar e cautela com a safra de 2027
Para manter a demanda aquecida no verão e evitar retração nas vendas nos meses quentes, a indústria aposta na diversificação de produtos, como bebidas prontas (ready to drink), cafés gelados e barras de proteína saborizadas.
Apesar do cenário favorável nas prateleiras, o presidente da Abic, Pavel Cardoso, pondera que o setor acompanha com atenção o clima e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as lavouras. Para a safra de 2027, a perspectiva é de maior pressão de oferta sobre o café arábica devido à bienalidade negativa das lavouras, o que levou as indústrias a adotarem uma gestão de estoques mais enxuta para mitigar riscos de mercado.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



