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Consumo de café no Brasil cresce 2,29% até agosto com preço menor e apelo entre jovens, aponta Abic

Volume atingiu 13,5 milhões de sacas nos primeiros oito meses do ano; queda de até 21% nos preços e inovação com produtos gelados impulsionaram as vendas

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Consumo de café no Brasil cresce 2,29% até agosto com preço menor e apelo entre jovens, aponta Abic
Canva/ Banco de imagem

O consumo de café no varejo brasileiro manteve sua trajetória de crescimento no acumulado dos primeiros oito meses de 2026. Segundo dados apresentados nesta terça-feira (22) pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) durante coletiva de imprensa, as vendas entre janeiro e agosto registraram um avanço de 2,29% na comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, o mercado absorveu cerca de 13,5 milhões de sacas de 60kg do produto.

O resultado reflete a aceleração das vendas ao longo do ano. No segundo quadrimestre (maio a agosto), o volume comercializado atingiu aproximadamente 7 milhões de sacas, registrando uma alta de 4,65% ante o mesmo período do ano anterior. A marca superou o desempenho do primeiro quadrimestre, quando a expansão acumulada havia sido de 2,44%. A amostragem representa as operações de empresas associadas à Abic, que detém 86% do share de mercado, e não associadas.

Abastecimento normalizado e atração dos jovens

O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, associou a expansão do consumo à normalização do fornecimento das variedades arábica e robusta/conilon. O Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI) sinalizou que o mercado deixou a condição de "oferta seletiva" enfrentada entre o fim de 2025 e o início de 2026, estabilizando-se na normalidade a partir do fim de maio.

"A partir do mês de junho, existe uma maior tranquilidade no abastecimento por parte da indústria e isso converge com os preços apresentados e com a evolução do consumo", afirmou Inácio.

O diretor-executivo também destacou a mudança no perfil do público consumidor: "As pessoas estão interessadas em falar sobre café, até os jovens. Isso traz à bebida algo extraordinário: deixa de ser uma bebida dos avós e passa a ser dos jovens. Quando você bebe um café bom, você repete isso constantemente. Nós da Abic lutamos para uma padronização do café", completou.

Inovação contra a sazonalidade e queda nos preços

A sazonalidade seguiu o padrão tradicional do clima: o pico de vendas ocorreu entre junho e julho, com salto de 5,80% impulsionado pelas baixas temperaturas do inverno, seguido de um recuo pontual de 3,77% entre julho e agosto.

Para amenizar as quedas durante os períodos quentes, a indústria aposta na diversificação de portfólio. O presidente da Abic, Pavel Cardoso, revelou que bebidas prontas (ready to drink), cafés gelados e barras de proteína saborizadas são as apostas para atrair novos consumidores.

"Enxergamos nossas prateleiras se enchendo de café gelado, fazendo essa contraposição de consumo no verão com esse produto que é bastante aguardado pelo consumidor", explicou Cardoso.

A busca por inovação é acompanhada por uma queda generalizada nos preços ao consumidor final em relação a agosto de 2025:

  • Tradicional / Extraforte: -21,22% (de R$ 62,83 para R$ 49,50/kg)

  • Solúvel: -19,31% (de R$ 252,36 para R$ 203,64/kg)

  • Superior: -14,37% (de R$ 78,17 para R$ 66,94/kg)

  • Gourmet: -13,18% (de R$ 117,92 para R$ 102,38/kg)

  • Especial: -10,34% (de R$ 145,17 para R$ 130,16/kg)

  • Descafeinado: -4,86% (de R$ 126,17 para R$ 120,04/kg)

  • Drip Coffee: -3,38% (de R$ 242,99 para R$ 234,78/kg)

  • Cápsulas: -1,39% (de R$ 413,73 para R$ 407,96/kg)

Perspectivas para 2027, El Niño e novas estratégias

De olho no futuro, a indústria acompanha com cautela os impactos climáticos provocados pelo El Niño nas lavouras. Apesar de registrar floradas mais intensas até o momento, o que é avaliado de forma positiva, o setor mantém a prudência nas projeções.

Para a safra de 2027, a expectativa é de uma maior pressão na oferta do café arábica, em decorrência do ciclo de bienalidade negativa das lavouras, enquanto a variedade conilon/robusta deve ganhar força no mercado. "Quando olhamos para os próximos 12 meses, haverá uma pressão de preços maior sobre o arábica do que o conilon", estimou o presidente da Abic.

Como resposta à volatilidade do mercado registrada nos últimos anos, a indústria alterou sua estratégia de gestão e reduziu a cobertura de estoques de segurança, que historicamente ficava entre 8 e 12 semanas de suprimento.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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