Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) está lançando luz sobre o impacto do uso de antibióticos na produção de leite em Minas Gerais. O projeto, intitulado “Quantificação de Utilização de Antimicrobianos em Propriedades Leiteiras”, analisou durante 12 meses o manejo de medicamentos em 118 fazendas, revelando que milhares de frascos são utilizados anualmente no setor.
O estudo é financiado pela Fapemig e gerenciado pela Fundecc, com o objetivo de entender a dimensão do uso desses fármacos e identificar riscos de resíduos no leite. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Elaine Dorneles, o foco está no uso racional. “Quando o produtor aprende a utilizar o antibiótico de forma correta e racional, evita perdas dentro da propriedade. Se não há resíduo no leite, esse produto não precisa ser descartado”, explica.
A preocupação central da equipe é a saúde pública, especificamente a resistência bacteriana, um desafio global integrado ao conceito de Saúde Única. Diferente da medicina humana, o controle de prescrição na produção animal nem sempre é rigoroso, o que pode favorecer a seleção de bactérias resistentes se o manejo for inadequado.
A iniciativa conta com a parceria da Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR), que reforça a visão do leite como um alimento seguro. Os resultados da pesquisa buscam embasar novas políticas públicas e orientar a indústria de laticínios para que a cadeia produtiva mineira se torne mais sustentável e competitiva nos mercados nacional e internacional.