Vacina contra chikungunya começa projeto-piloto no Brasil; veja o que já se sabe

Imunizante é aplicado em Mirassol (SP) e em municípios de Minas Gerais; ainda não há previsão de uso amplo

Vacina contra chikungunya começa projeto-piloto no Brasil

A cidade de Mirassol, no interior de São Paulo, foi escolhida para iniciar a aplicação da vacina contra chikungunya em um projeto-piloto que começou no início de fevereiro. O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa de biotecnologia Valneva.

A ação é destinada a pessoas com 18 anos ou mais e marca o começo da aplicação do imunizante em território brasileiro. A estratégia envolve o governo de São Paulo, o Ministério da Saúde e secretarias municipais em dez municípios selecionados.

Quatro municípios de Minas Gerais também foram escolhidos como piloto para definir a melhor estratégia de aplicação do imunizante: Sabará, Congonhas, Sete Lagoas e Santa Luzia. Sabará é o primeiro município do estado a aplicar a vacina desenvolvida pelo Butantan.

A vacina foi aprovada em abril de 2025 e é a primeira do mundo desenvolvida contra a chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

O imunizante já recebeu autorização da FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, e da EMA (European Medicines Agency), da União Europeia. A versão do Butantan ainda passará por adequações para possível incorporação em programas públicos de saúde.

Quem pode tomar

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina é indicada para pessoas a partir de 18 anos com risco aumentado de exposição ao vírus. O uso é contraindicado para gestantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.

Eficácia e segurança

Em estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 4 mil voluntários entre 18 e 65 anos, 98,9% dos participantes produziram anticorpos contra o vírus. Os níveis se mantiveram elevados por pelo menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de 2023.

Já um estudo clínico de fase 3 com adolescentes brasileiros mostrou anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus. A proteção se manteve em 99,1% dos jovens após seis meses, segundo publicação na The Lancet Infectious Diseases.

A maioria dos eventos adversos foi leve ou moderada. Entre os efeitos mais relatados estão dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.

Como a vacina funciona

O imunizante utiliza vírus vivo atenuado, ou seja, uma versão enfraquecida do vírus chikungunya, capaz de estimular o sistema imunológico sem causar a doença. Assim, o organismo desenvolve proteção para futuras exposições.

Atualmente, a fabricação ocorre na Alemanha, pela empresa IDT Biologika GmbH. O Butantan prevê produzir a vacina no Brasil no futuro.

Como foi a aprovação

Para conceder o registro, a Anvisa avaliou dados de qualidade, produção, eficácia e segurança apresentados no dossiê do imunizante. A agência também participou como convidada da avaliação da vacina IXCHIQ pela EMA, dentro do projeto Open, que permite análises simultâneas por diferentes autoridades regulatórias.

O processo contou ainda com avaliação independente de especialistas em arboviroses e desenvolvimento de vacinas vinculados à Câmara Técnica de Medicamentos.

Quando estará disponível

Ainda não há previsão para a oferta da vacina à população em geral. O Butantan trabalha na adaptação do processo produtivo para ampliar a capacidade de fabricação no Brasil.

Sobre o vírus chikungunya

O vírus chikungunya atinge a corrente sanguínea e pode provocar febre alta, dor intensa nas articulações, dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele. Uma das principais complicações é a dor articular crônica, que pode persistir por anos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, até o fim de agosto de 2024, o Brasil registrou 254.651 casos prováveis da doença, aumento de 45,5% em relação ao mesmo período de 2023.

Como não há tratamento específico para chikungunya, a prevenção é considerada fundamental. Além da vacinação, medidas como eliminar água parada e manter ambientes limpos continuam sendo as principais formas de reduzir a circulação do mosquito transmissor.

Caso esteja com sintomas, o ideal é buscar ajuda médica. Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da chikungunya são:

  • Dores intensas nas articulações
  • Edema nas articulações
  • Dor nas costas
  • Prurido
  • Náuseas e vômitos
  • Dor de garganta
  • Calafrios
  • Diarreia ou dor abdominal
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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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