O avanço da expectativa de vida tem trazido um novo desafio silencioso para as famílias brasileiras. Distúrbios que afetam a memória e o raciocínio estão cada vez mais presentes na rotina de milhões de pessoas, exigindo informação de qualidade, diagnóstico ágil e acompanhamento especializado. Atualmente, cerca de 3 milhões de brasileiros vivem com Alzheimer e outras condições que comprometem as funções cognitivas. No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde projeta que o total de diagnósticos pode triplicar até 2050. É nesse contexto que a Rede Mater Dei abre, na unidade Santo Agostinho, o Centro Integrado de Memória e Envelhecimento (CIME), o primeiro espaço de referência no estado dedicado de forma exclusiva à saúde mental do idoso e à preservação das capacidades cognitivas ao longo da vida.
O serviço nasce com a proposta de acompanhar pacientes em diferentes fases da vida, oferecendo avaliação completa, orientação preventiva e tratamento personalizado. A ideia é ajudar pessoas a entender melhor como o cérebro envelhece e quais cuidados podem preservar a memória e a autonomia ao longo dos anos.
Atendimento integrado ao paciente
O CIME reúne, em um mesmo fluxo, profissionais e recursos voltados ao diagnóstico e ao acompanhamento de alterações cognitivas. A proposta é facilitar a jornada do paciente e reduzir o tempo entre a suspeita de um problema e a definição do plano de cuidado. A equipe trabalha com avaliações clínicas, testes de memória, exames de imagem e análise conjunta dos casos para chegar a diagnósticos mais precisos.
Segundo o neurologista e um dos coordenadores do CIME, Dr. Henrique Dutra, o projeto foi estruturado para ir além de um atendimento tradicional: “nosso diferencial está no modelo integrado. Reunimos, em um único fluxo, toda a estrutura necessária para oferecer diagnósticos mais precisos, planos de cuidado personalizados e, quando indicado, acesso a terapias inovadoras. O foco não é apenas tratar doenças, mas promover longevidade cognitiva, autonomia e qualidade de vida”, explica.
O serviço atua em três frentes principais. A primeira é a prevenção de fatores de risco ao longo da vida, com orientações que podem ajudar a reduzir a chance de desenvolvimento de demências. A segunda envolve o diagnóstico precoce, que permite iniciar intervenções em estágios iniciais. A terceira é o tratamento individualizado de transtornos cognitivos já identificados, com acompanhamento contínuo.
Terapias e diagnóstico precoce
Entre os recursos disponíveis está a possibilidade de acesso a terapias recentes voltadas à doença de Alzheimer em fase inicial, como a aplicação do Donanemabe, quando indicada após avaliação criteriosa. O medicamento atua reduzindo o acúmulo de beta-amiloide no cérebro, proteína relacionada ao desenvolvimento da doença. O acompanhamento inclui a seleção dos pacientes, a realização de exames e o monitoramento durante o tratamento, sempre com orientação detalhada para o paciente e para a família.
O coordenador do centro destaca que nem todo caso se enquadra para esse tipo de terapia, e que a indicação depende de critérios específicos e de exames confirmatórios. “Não é um medicamento para todos os pacientes. Ele é indicado apenas para pessoas com Alzheimer inicial, após confirmação diagnóstica por exames específicos e avaliação criteriosa de elegibilidade. No CIME, todo esse processo é feito com acompanhamento rigoroso, desde a seleção do paciente até o monitoramento durante o tratamento”, explica o coordenador.
A presença de uma equipe multidisciplinar ajuda a diferenciar alterações comuns do envelhecimento saudável de sinais que merecem investigação mais aprofundada. A proposta é evitar atrasos no diagnóstico e ampliar as possibilidades de cuidado.
Apoio a famílias e cuidadores
O impacto das demências atinge diretamente quem convive com o paciente no dia a dia. Por isso, o centro inclui orientação a familiares e cuidadores como parte do atendimento. A equipe oferece esclarecimentos sobre a evolução das doenças, estratégias de cuidado e suporte emocional para quem acompanha o tratamento.
O Dr. Henrique Dutra reforça a importância de preparar as famílias para lidar com as mudanças que podem surgir ao longo do tempo. “Oferecemos orientação clara sobre o diagnóstico, o prognóstico e as estratégias de cuidado, além de suporte psicossocial e acompanhamento contínuo”, diz. O objetivo é ajudar a organizar a rotina e reduzir a sobrecarga emocional que costuma acompanhar o processo.
Ele também chama a atenção para o papel coletivo no cuidado. “A tarefa da família é árdua e o empenho de todos é muito importante. Devemos criar estruturas flexíveis capazes de acomodar as mudanças necessárias e de nutrir o bem-estar e crescimento de cada um dos envolvidos”, reforça.
A orientação sobre quando buscar avaliação também faz parte do trabalho. Pequenos esquecimentos podem ser comuns com o passar dos anos, mas dificuldades que começam a interferir na rotina, no trabalho ou na vida social merecem atenção. Mudanças de comportamento, repetição frequente de perguntas, perda de autonomia e dificuldade de orientação são sinais que indicam a necessidade de investigação.
A equipe também atua na prevenção, com orientações sobre hábitos de vida que ajudam a proteger o cérebro ao longo do tempo. Cuidar da saúde cardiovascular, manter atividade física regular, preservar vínculos sociais e estimular a mente são medidas que contribuem para um envelhecimento mais saudável.
Instalado no Mater Dei Santo Agostinho, o Centro Integrado de Memória e Envelhecimento consolida-se como o primeiro serviço de referência em Minas dedicado exclusivamente à saúde cognitiva e ao envelhecimento cerebral, com atendimento personalizado voltado à prevenção, identificação precoce e tratamento individualizado dos transtornos de memória. A investigação é coordenada pela equipe da unidade Santo Agostinho, enquanto as demais unidades da Rede Mater Dei em Nova Lima, Betim-Contagem e Contorno também contam com neurologistas preparados para atender pacientes com queixas cognitivas.
Com 45 anos de trajetória, a Rede Mater Dei reúne hospitais em Minas Gerais, Bahia e Goiás, sustentada por um modelo que une tecnologia, humanização e governança sólida, mantendo o paciente no centro do cuidado e ampliando sua atuação em diferentes regiões do país.
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