A Mpox continua sob monitoramento das autoridades de saúde. Embora o número de casos no Brasil esteja em nível mais baixo, a identificação recente de uma nova variante no exterior reforça a necessidade de vigilância.
Segundo a infectologista do Lab-to-Lab Pardini, Melissa Valentini, a doença é causada por um vírus da mesma família da varíola humana, erradicada globalmente em 1980.
“Os principais sintomas são febre, aumento dos gânglios linfáticos e lesões de pele, que podem aparecer como manchas, pápulas ou vesículas. Muitas vezes essas lesões são confundidas com catapora ou herpes genital”, explica.
De acordo com a especialista, o vírus é conhecido há décadas e tem origem no continente africano.
“Até 2022, os casos fora da África eram raros e geralmente ligados ao contato com animais infectados. A partir daquele ano, houve mudança no padrão de transmissão, com disseminação principalmente por contato íntimo e relações sexuais desprotegidas”, afirma.
Clados e gravidade
O vírus possui dois principais clados (linhagens genéticas). O clado 1, da África Central, está historicamente associado a quadros mais graves. Já o clado 2, da África Ocidental, costuma provocar formas mais brandas.
O surto global iniciado em 2022 esteve majoritariamente ligado ao clado 2B, com transmissão predominante por contato íntimo.
“A maioria dos casos ocorreu em homens que fazem sexo com homens. Em geral, eram quadros não graves, mas com lesões muito dolorosas, principalmente na região anal e perianal”, detalha a médica.
Pessoas imunossuprimidas, especialmente pacientes vivendo com HIV com baixa imunidade, apresentaram maior risco de complicações. O Brasil foi um dos países mais afetados em 2022 e registrou mortes associadas à infecção.
Atualmente, o país registra apenas casos esporádicos.
Nova variante no exterior
“Os dois casos não têm correlação epidemiológica entre si, o que indica transmissões independentes. Ainda não sabemos se essa variante é mais transmissível ou mais grave. Isso precisa ser acompanhado”, afirma Valentini.
Até o momento, a Organização Mundial da Saúde não alterou as recomendações de vigilância ou prevenção.
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico da Mpox é feito por meio da coleta de material das lesões e análise por PCR.
“O paciente com suspeita deve permanecer isolado até que todas as lesões desapareçam”, orienta a infectologista.
A vacina utilizada é a mesma originalmente desenvolvida contra a varíola. No Brasil, as doses foram obtidas por doações internacionais e priorizadas para grupos mais vulneráveis, especialmente pessoas imunossuprimidas.
“Atualmente, não há disponibilidade ampla de vacina nem na rede pública nem na privada”, afirma.
Quando procurar atendimento
A recomendação é buscar avaliação médica em caso de febre associada a lesões de pele e aumento de gânglios, principalmente após contato íntimo desprotegido ou exposição a pessoas com lesões suspeitas.
“O reconhecimento precoce e o isolamento adequado são essenciais para interromper a cadeia de transmissão”, conclui.