A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana o surgimento de uma nova variante da mpox. O vírus recombinante foi formado quando duas linhagens diferentes infectaram a mesma pessoa e trocaram material genético, um processo natural conhecido como recombinação.
Os dois casos identificados ocorreram no Reino Unido e na Índia.
No Reino Unido, o caso foi detectado em um viajante que havia retornado de um país da região Ásia-Pacífico em outubro de 2025. Já na Índia, o paciente tinha histórico de viagem para um país da Península Arábica.
Ambos apresentaram manifestações clínicas semelhantes às observadas em outras variantes do vírus, sem quadros graves.
O paciente da Índia chegou a ser internado, mas não teve complicações e se recuperou totalmente. No Reino Unido, os contatos foram rastreados e não houve registro de casos secundários. Na Índia, também não foram identificadas transmissões adicionais.
Análise genética
A análise dos genomas virais mostrou que os dois pacientes adoeceram com semanas de diferença, mas foram infectados pela mesma cepa recombinante. Isso indica a possibilidade de existirem mais casos ainda não detectados.
A cepa identificada na Índia apresenta mais de 99,9% de similaridade com a detectada no Reino Unido, sugerindo origem evolutiva comum.
O sequenciamento genômico completo revelou 34 tratos recombinantes na amostra da Índia e 28 na do Reino Unido, com 16 trechos em comum entre elas. Segundo a OMS, o caso indiano é o mais antigo conhecido dessa cepa e ocorreu antes do evento registrado no Reino Unido.
Testes iniciais de PCR indicaram clade Ib no Reino Unido e clade IIb na Índia. De acordo com a organização, isso mostra que esses testes isoladamente podem não identificar com precisão vírus recombinantes, sendo necessário o sequenciamento genômico.
Avaliação de risco
A OMS manteve inalterada sua avaliação de risco para a mpox.
O risco é considerado moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos, profissionais do sexo e pessoas com múltiplos parceiros casuais. Para a população geral sem fatores de risco específicos, o risco permanece baixo.
Devido ao número ainda pequeno de casos, a organização afirma que é cedo para tirar conclusões sobre transmissibilidade ou gravidade da nova cepa.
A OMS também alerta que múltiplas cepas do vírus continuam circulando em redes sexuais interconectadas em vários países. Coinfecções, embora raras, podem ocorrer e gerar novas variantes recombinantes.
Segundo a entidade, o fato de essa cepa já ter sido detectada em pelo menos quatro países, em três regiões, sugere que ela pode estar mais disseminada do que o atualmente documentado. A origem exata ainda é desconhecida.
Recomendações da OMS
A OMS orienta que os países mantenham vigilância epidemiológica ativa da mpox, com notificação rápida de eventos incomuns e de casos importados.
A organização recomenda o sequenciamento genômico de todos os casos confirmados em cenários de surto inicial e de pelo menos 10% das amostras em contextos de transmissão comunitária.
Também é indicado realizar análises direcionadas em situações específicas, especialmente em pacientes com histórico recente de viagem para áreas com circulação da clade I ou associadas ao turismo sexual.
A OMS reforça ainda a importância de:
- garantir manejo adequado dos casos;
- manter medidas rigorosas de prevenção e controle de infecção;
- fortalecer estratégias de vacinação para populações-chave;
- integrar serviços de HIV e IST ao cuidado da mpox.
Com base nas informações atuais, a organização não recomenda restrições de viagens ou comércio relacionadas aos países citados.