Em artigo publicado na revista
Apesar das diferenças entre eles, os três patógenos expandiram suas áreas de circulação nos últimos anos. O alerta, segundo especialistas, não é para gerar pânico, mas para reforçar a vigilância e a preparação dos sistemas de saúde.
Vírus Oropouche avança no Brasil
Menos conhecido do público, o vírus Oropouche é transmitido por mosquitos pequenos e provoca sintomas semelhantes aos da gripe. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, por muito tempo ficou restrito à região amazônica.
Desde os anos 2000, porém, o vírus vem se espalhando por outras áreas da América do Sul, América Central e Caribe. Em 2023, houve novo aumento de casos e, em 2024, foram registradas pela primeira vez mortes associadas à infecção no Brasil.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, até agosto de 2025 o Brasil concentrava cerca de 90% dos casos nas Américas, distribuídos por 20 estados. Foram confirmadas cinco mortes, quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.
Também surgiram casos na Europa ligados a viajantes infectados. Há ainda registros de transmissão vertical, de mãe para filho, e investigações sobre possível relação com microcefalia e óbitos fetais.
O avanço preocupa porque o inseto transmissor já se adaptou a diversas regiões do continente. Atualmente não existe vacina nem tratamento específico. Em 5 de janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde apresentou uma proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle.
Gripe aviária H5N1
A influenza A é conhecida pela alta capacidade de mutação e de infectar diferentes espécies. A atenção agora se concentra no H5N1, vírus da gripe aviária.
Em 2024, o patógeno foi detectado pela primeira vez em vacas leiteiras nos Estados Unidos, marcando um salto de espécie que acendeu o alerta científico. Desde então, novos episódios foram identificados em rebanhos de vários estados norte-americanos.
Estudos indicam que ocorreram transmissões de vacas para humanos, muitas sem sintomas aparentes. No Brasil, houve confirmação de gripe aviária em uma granja comercial em 2025.
O principal temor é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, condição necessária para uma nova pandemia. Até o momento, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA registraram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024, sem evidência de transmissão comunitária sustentada.
Vacinas específicas estão em desenvolvimento, já que as formulações atuais podem não oferecer proteção adequada. O Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos de segurança de um imunizante.
Mpox mantém duas variantes em circulação
Durante décadas, o mpox foi considerado raro e restrito a partes da África. Esse cenário mudou em 2022, quando a cepa clado IIb se espalhou por mais de cem países.
A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, muitas vezes em relações sexuais, o que favoreceu a disseminação global da variante.
Desde 2024, países da África Central também registram aumento de infecções pelo clado I, considerado mais grave. Os Estados Unidos notificaram casos recentes em pessoas sem histórico de viagem à África.
Embora exista vacina, ainda não há tratamento específico amplamente disponível. Especialistas avaliam que a evolução do vírus ao longo de 2026 pode trazer novos desafios para a saúde pública.
Outros vírus também entram no radar
Além dos três principais, outras doenças virais seguem sob monitoramento. O chikungunya, por exemplo, provocou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro. No Brasil, foram 129 mil casos e 121 óbitos, segundo o Ministério da Saúde.
O vírus Nipah voltou a preocupar após um surto no estado indiano de Bengala Ocidental, embora especialistas avaliem que ele ainda não apresenta potencial pandêmico. O Ministério da Saúde informou que não há casos registrados no Brasil.
Doenças já conhecidas também reaparecem. O sarampo voltou a crescer em vários países devido à queda nas taxas de vacinação, ameaçando o status de eliminação em algumas regiões.
Especialistas também alertam para o risco de aumento do HIV caso continuem os cortes em programas internacionais de cooperação em saúde.