Morte de criança que engasgou com pirulito: pediatra lista quais guloseimas devem ser evitadas

Caso de menino de 3 anos reforça a importância de prevenir engasgos em crianças pequenas

João Emanuel Pereira, de 3 anos, morreu ao engasgar com um pirulito na zona rural de Prados, cidade mineira do Campo das Vertentes

Uma tragédia registrada na zona rural de Prados, cidade mineira do Campo das Vertentes, trouxe o alerta sobre o risco de engasgo em crianças. O menino João Emanuel Pereira, de 3 anos, morreu após se engasgar com um pirulito nessa quarta-feira de Cinzas (18).

Diante do caso, a pediatra Beatriz Adriane Gonçalves, mestre em Pediatria, reforça que alimentos pequenos, duros e arredondados representam perigo real para crianças pequenas. Segundo o Ministério da Saúde, o engasgo está entre as principais causas acidentais de morte em crianças menores de 1 ano no Brasil.

Alimentos que devem ser evitados

De acordo com a especialista, itens como pirulitos, balas, pipoca e amendoim devem ser evitados na primeira infância.

Ela destaca que o maior risco ocorre até os 4 anos de idade, fase em que a criança ainda está aprendendo a mastigar e possui vias aéreas mais estreitas.

Sinais de alerta

Pais e responsáveis devem reconhecer rapidamente os sinais de engasgo. Entre os principais estão:

  • incapacidade de falar ou chorar sem voz
  • tosse fraca ou ausência de tosse
  • dificuldade ou ausência de respiração
  • lábios arroxeados
  • som agudo ao tentar respirar
  • mãos levadas ao pescoço

A identificação rápida é essencial para evitar complicações graves.

O que fazer em caso de engasgo

A conduta varia conforme a idade da criança.

  • Bebês menores de 1 ano (líquidos):

Levantar o bebê na posição vertical e estimular levemente as costas.

  • Bebês menores de 1 ano (sólidos):

Colocar o bebê de bruços sobre o antebraço, com a cabeça inclinada para baixo, e realizar cinco tapas firmes entre as escápulas. Se necessário, alternar com cinco compressões torácicas.

  • Crianças maiores de 1 ano:

Realizar a manobra de Heimlich, com compressões para dentro e para cima na região do estômago.

Em qualquer situação, se houver perda de consciência, deve-se iniciar manobras de reanimação e acionar o SAMU (192).

Como prevenir

Medidas simples no dia a dia ajudam a reduzir o risco:

  • oferecer alimentos adequados à idade
  • cortar alimentos como uvas em quatro partes no sentido do comprimento
  • evitar alimentos duros e arredondados até os 4 anos
  • não permitir que a criança coma andando ou brincando
  • supervisionar sempre as refeições

Caso João Emanuel

João Emanuel, chamado pela família de Janjão, ingeriu o pirulito na quarta-feira (18). Ele foi levado às pressas por familiares ao hospital de Barroso, cidade vizinha, mas já chegou inconsciente e com suspeita de parada cardiorrespiratória.

O corpo do menino foi velado nessa quinta-feira (19) na casa onde morava, na comunidade de Pitangueira. O enterro estava marcado para as 16h, no cemitério local.

‘Bala da Morte’, banida no Brasil por ser muito perigosa

O risco de engasgo com doces não é novo. Nas décadas de 1980 e 1990, as balas Soft ficaram conhecidas popularmente como “bala da morte” por causa de relatos frequentes de sufocamento, principalmente em crianças.

O perigo estava no formato: redondo, liso e com tamanho aproximado ao de uma moeda, o que facilitava a obstrução das vias aéreas.

Criada pela fábrica Q-Refres-Ko nos anos 1960, a bala fez grande sucesso comercial e chegou a ser exportada. Em 1993, após a empresa ser comprada pela Philip Morris, o produto foi retirado do mercado.

Posteriormente surgiram versões com furo central para reduzir o risco de asfixia. Atualmente, a bala Soft Classic é fabricada por uma empresa de Erechim (RS) e não há registros recentes de engasgo associados ao produto.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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