Hábitos que estimulam o cérebro podem reduzir risco de Alzheimer em até 38%
Estudo com idosos aponta que enriquecimento cognitivo ao longo da vida ajuda a retardar a demência

Manter o cérebro ativo ao longo da vida pode reduzir significativamente o risco de desenvolver demência por Alzheimer. É o que indica um estudo longitudinal clínico-patológico que acompanhou 1.939 idosos por uma média de 7,6 anos.
Durante o período, 551 participantes desenvolveram demência por Alzheimer. A análise mostrou que cada unidade adicional de enriquecimento cognitivo esteve associada a uma redução de 38% no risco da doença. Pessoas com maior estímulo mental também apresentaram, em média, cinco anos de atraso no início da demência.
Postergar o início da demência significa preservar por mais tempo a autonomia, a funcionalidade e reduzir a sobrecarga familiar e do sistema de saúde
Uma parte do estudo incluiu análise neuropatológica de participantes que morreram durante o seguimento. Nesse grupo, o enriquecimento cognitivo não reduziu as lesões cerebrais típicas da doença, mas permaneceu associado a melhor desempenho cognitivo próximo à morte.
Esse achado reforça o conceito de reserva cognitiva. Na prática, pessoas que estimulam mais o cérebro ao longo da vida conseguem tolerar melhor as alterações neurológicas, manifestando sintomas mais tardiamente.
O enriquecimento cognitivo vai além da escolaridade formal. Inclui leitura frequente, aprendizagem contínua, atividades intelectualmente desafiadoras, engajamento social e participação cultural. O estudo indica que atividades que exigem aprendizado ativo tendem a ter maior impacto do que práticas passivas.
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Na avaliação da especialista, a promoção da saúde cerebral deve começar o quanto antes, embora ainda haja benefícios quando o estímulo ocorre em fases mais tardias da vida.
Apesar dos resultados, a geriatra ressalta que o estímulo cognitivo não substitui outros cuidados de saúde. O controle de fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e alterações do colesterol, além da prática de atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado, continua sendo fundamental.
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



