Manter o cérebro ativo ao longo da vida pode reduzir significativamente o risco de desenvolver
Durante o período, 551 participantes desenvolveram
Segundo a geriatra Simone de Paula Pessoa Lima, o resultado tem impacto direto na qualidade de vida.
Os pesquisadores também observaram que participantes com maior enriquecimento cognitivo tiveram melhor desempenho nos testes mentais no início do acompanhamento e apresentaram declínio mais lento ao longo dos anos.
Uma parte do estudo incluiu análise neuropatológica de participantes que morreram durante o seguimento. Nesse grupo, o enriquecimento cognitivo não reduziu as lesões cerebrais típicas da doença, mas permaneceu associado a melhor desempenho cognitivo próximo à morte.
Esse achado reforça o conceito de reserva cognitiva. Na prática, pessoas que estimulam mais o cérebro ao longo da vida conseguem tolerar melhor as alterações neurológicas, manifestando sintomas mais tardiamente.
O enriquecimento cognitivo vai além da escolaridade formal. Inclui leitura frequente, aprendizagem contínua, atividades intelectualmente desafiadoras, engajamento social e participação cultural. O estudo indica que atividades que exigem aprendizado ativo tendem a ter maior impacto do que práticas passivas.
Na avaliação da especialista, a promoção da saúde cerebral deve começar o quanto antes, embora ainda haja benefícios quando o estímulo ocorre em fases mais tardias da vida.
Apesar dos resultados, a geriatra ressalta que o estímulo cognitivo não substitui outros cuidados de saúde. O controle de fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e alterações do colesterol, além da prática de atividade física, alimentação equilibrada e sono adequado, continua sendo fundamental.
As evidências reforçam que a prevenção da demência é multifatorial e construída ao longo de toda a vida. Por isso, especialistas defendem também a ampliação de políticas públicas que facilitem o acesso da população à educação, cultura e outras formas de estímulo cognitivo.