Pesquisa aponta seis sinais emocionais na meia-idade que podem indicar risco de demência

Especialista destaca que sintomas depressivos específicos podem estar mais ligados ao declínio cognitivo do que o diagnóstico geral de depressão

Um estudo publicado pela revista britânica The Lancet Psychiatry aponta seis sintomas depressivos manifestados na meia-idade que podem indicar maior probabilidade de desenvolvimento de demência na terceira idade.

Em entrevista à Rádio USP, da Universidade de São Paulo, o psiquiatra Fernando Fernandes explicou quais são as novidades apresentadas no novo estudo.

“O que o estudo trouxe de novo foi a separação de sintomas depressivos que parecem estar mais associados [a demência]. Tem fatores que não podemos modificar, como a genética, por exemplo. Mas entre os fatores que podem ser modificados, a depressão está entre as causas importantes. A detecção precoce da depressão e o tratamento adequado e incisivo podem diminuir até em 4,4% o risco de demência”, comentou o especialista.

E quais são os sinais de alerta?

De acordo com o estudo, esses seis sintomas depressivos, quando observados na meia-idade, aparecem mais frequentemente em pessoas que podem desenvolver demência décadas depois. Confira:

  • Perda de confiança em si mesmo – sensação persistente de incapacidade;
  • Dificuldade de concentração – problemas frequentes para focar em tarefas;
  • Incapacidade de enfrentar problemas – sensação de sobrecarga diante de desafios cotidianos;
  • Ausência de afeto ou conexão social – dificuldade em sentir afeto por outros;
  • Nervosismo e tensão constante – sensação de ansiedade persistente;
  • Insatisfação com tarefas diárias – frustração constante com o desempenho e resultados;

Ainda segundo o que disse o especialista à Rádio USP, os sintomas listados foram os mais associados ao risco de demência no estudo britânico, mais até do que um diagnóstico formal de depressão. Segundo o psiquiatra, esses sinais refletem mudanças específicas no comportamento e na cognição que podem apontar para um declínio neurológico futuro.

Importância da detecção precoce

O especialista ressalta ainda que a identificação antecipada e a busca por tratamento médico diante dos sintomas é indispensável. As especialidades mais adequadas são médicos geriatras e psiquiatras.
“Depressão não é apenas um fator de risco para a demência no idoso. A demência tem sintomas cognitivos que fazem parte do quadro da depressão, a pseudodemência. A pessoa de mais idade, quando deprime, pode, de fato, ter sintomas que parecem uma demência.”, comentou Fernando Fernandes na entrevista.

E como prevenir o diagnóstico?

Para o especialista, alguns hábitos a serem adotados durante toda a vida podem diminuir o risco de demência na terceira idade.

“Independentemente da idade, evitar o uso de álcool, tabaco, tratar de problemas como obesidade, diabetes, pressão alta, manter-se cognitivamente ativo com atividades de leitura constantes. Todos esses fatores que eu citei são coisas que, ao longo da vida, temos que cuidar para a saúde geral e também para diminuir o risco de demência”, disse o psiquiatra.

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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