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Inflamação intestinal: vírus capaz de desarmar bactérias pode revolucionar o tratamento

Descoberta de cientistas revela que 'bacteriófagos' podem neutralizar microrganismos nocivos sem destruir a microbiota e abre caminho para novas terapias contra doenças inflamatórias do intestino

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Segundo os autores da pesquisa, a estratégia pode oferecer uma alternativa mais precisa aos antibióticos tradicionais. • Magnific

Uma descoberta de pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, pode representar um avanço importante no combate às doenças inflamatórias intestinais. O estudo identificou um vírus natural capaz de atacar bactérias prejudiciais de uma maneira incomum: em vez de eliminá-las imediatamente, ele remove estruturas essenciais que esses microrganismos utilizam para provocar inflamação no organismo.

Esses vírus, conhecidos como 'bacteriófagos', infectam exclusivamente bactérias e não representam risco para as células humanas. Durante os experimentos, os cientistas observaram que um deles conseguiu retirar uma espécie de "dentes" presentes na superfície de determinadas bactérias intestinais. Essas estruturas são utilizadas pelos microrganismos para aderir ao revestimento do intestino e desencadear processos inflamatórios.

Ao perder essa capacidade de aderência, as bactérias deixam de causar tantos danos ao tecido intestinal. Como consequência, os sinais de inflamação diminuíram significativamente nos modelos experimentais avaliados pelos pesquisadores.

Segundo os autores da pesquisa, a estratégia pode oferecer uma alternativa mais precisa aos antibióticos tradicionais. Enquanto esses medicamentos eliminam indiscriminadamente bactérias benéficas e prejudiciais, os 'bacteriófagos' conseguem agir apenas sobre os microrganismos envolvidos na doença, preservando o equilíbrio natural da microbiota intestinal.

Os pesquisadores destacam que essa abordagem pode ser especialmente útil no tratamento de enfermidades como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições caracterizadas por inflamação crônica do intestino e que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que ainda serão necessários novos estudos antes que a técnica possa ser aplicada em pacientes. As próximas etapas incluem testes adicionais para confirmar a segurança e a eficácia da terapia em seres humanos.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.