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Vontade de comer terra ou gelo na gravidez pode indicar problema; entenda

Desejos de grávida são comuns, mas em alguns casos podem revelar problemas

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A jovem desconfiou que estava grávida por causa de um inchaço na barriga
Gravidez causa alterações hormonais que favorecem mudanças no apetite • Reprodução | Pexels - IMAGEM ILUSTRATIVA

Desejos de grávida são comuns entre gestantes. Esse fenômeno não está associado a fatores físicos e psicológicos e envolve questões biológicas, emocionais, sociais e culturais.

“As alterações hormonais próprias da gravidez podem modificar a percepção do paladar e do olfato, tornando alguns alimentos mais atraentes e outros, antes apreciados, desagradáveis. Além disso, sintomas como náuseas e enjoos também influenciam as preferências alimentares. Ao mesmo tempo, fatores emocionais, memórias afetivas, hábitos culturais e o contexto social da gestação podem contribuir para o surgimento desses desejos”, explica Gisele Maciel, ginecologista e obstetra, mestre em Saúde da Criança e da Mulher.

Alguns pensam que o corpo "pede" alimentos que podem revelar alguma deficiência nutricional. Porém, a médica destaca que não é bem assim.

“Embora algumas carências, especialmente de ferro, possam estar associadas a determinados comportamentos alimentares, essa relação explica apenas uma pequena parcela dos casos. Portanto, a ideia de que ‘o corpo sempre está pedindo exatamente o nutriente de que precisa’ não é sustentada pelas evidências científicas atuais”, diz a ginecologista.

Recorrentemente, mulheres grávidas relatam desejos inusitados, envolvendo, por exemplo, combinações doces e salgadas. "Isso geralmente não representa um problema, desde que os alimentos sejam seguros para consumo e façam parte de uma alimentação equilibrada. Essas preferências podem refletir justamente as alterações sensoriais características da gravidez", enfatiza a especialista.

“Existe, porém, uma condição que merece atenção médica, chamada pica, caracterizada pelo desejo persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, argila, carvão, sabão, papel, tinta ou grandes quantidades de gelo. Nesses casos, é fundamental investigar possíveis deficiências nutricionais, especialmente de ferro, além de outras causas, pois esse comportamento pode trazer riscos para a gestante e para o bebê”, alerta a médica.

Também é necessário se atentar para alimentos crus ou mal cozidos, produtos de procedência duvidosa, bebidas alcoólicas ou substâncias não comestíveis. “Um pré-natal de qualidade busca acolher essas experiências, oferecer orientação individualizada e promover a saúde da gestante e do bebê com base nas melhores evidências científicas”, conclui.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.