Vitamina C na veia pode aumentar as chances de recuperação de traumas graves; entenda
Pesquisa com mais de 5 mil pacientes indica redução no risco de morte, menos infecções graves e menor tempo de internação; especialistas alertam que tratamento ainda exige mais evidências

Uma revisão científica conduzida por pesquisadores do Reino Unido sugere que a vitamina C administrada por via intravenosa pode se tornar uma importante aliada no tratamento de adultos que sofrem lesões graves, como as provocadas por acidentes de trânsito, quedas ou outros traumas de grande impacto.
O trabalho, publicado na revista científica BMJ Military Health, reuniu dados de seis estudos envolvendo 5.171 pacientes e identificou que o uso de altas doses da vitamina esteve associado a resultados mais favoráveis durante a recuperação hospitalar.
Segundo a análise, os pacientes que receberam vitamina C intravenosa apresentaram menor risco de morte, menor incidência de sepse, uma infecção grave que pode comprometer o funcionamento dos órgãos, e permaneceram menos tempo internados em comparação com aqueles que não receberam o tratamento.
Os pesquisadores destacam que pessoas vítimas de traumas severos costumam desenvolver uma intensa resposta inflamatória no organismo. Esse processo aumenta o estresse oxidativo e reduz rapidamente os níveis naturais de vitamina C, nutriente essencial para o funcionamento do sistema imunológico, a cicatrização dos tecidos e a produção de colágeno.
De acordo com os cientistas, a reposição da vitamina diretamente na corrente sanguínea pode ajudar a reduzir os danos causados pela inflamação excessiva e favorecer a recuperação do organismo em um momento crítico.
Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que ainda não é possível afirmar que a vitamina C intravenosa deva fazer parte da rotina de tratamento de todos os pacientes com traumas graves.
Isso porque os estudos analisados apresentaram diferenças importantes entre si, incluindo as doses utilizadas, o tempo de administração da vitamina e o perfil dos participantes. Além disso, a qualidade geral das evidências foi classificada como baixa a moderada.
Os pesquisadores enfatizam que novos ensaios clínicos, mais amplos e padronizados, serão necessários para confirmar os benefícios observados, definir quais pacientes realmente podem se beneficiar da terapia e estabelecer a dose ideal para cada situação.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



