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A próxima disputa da IA não será por respostas, será pelo trabalho

Provavelmente deixaremos de perguntar quantos funcionários uma empresa possui para perguntar quantos agentes inteligentes operam ao lado deles

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Foto mostra mulheres em frente a tela
Inteligência artificial vai redefinir quem, ou o que, realiza o trabalho dentro das organizações • Reprodução/Freepik

Durante os últimos dois anos, aprendemos a enxergar a Inteligência Artificial como uma ferramenta para responder perguntas. Ela escreve textos, cria apresentações, resume reuniões, traduz documentos e gera imagens em segundos. Essa foi a primeira fase da IA: impressionar pela capacidade de produzir informação.

Mas essa fase está chegando ao fim.

A transformação que começa agora é muito mais profunda. A Inteligência Artificial está deixando de apenas responder ao usuário para começar a executar o trabalho. É uma mudança silenciosa, mas que tem potencial para alterar completamente a forma como as empresas operam.

O mercado já não disputa apenas quem possui o modelo mais inteligente. A nova corrida é para descobrir quem consegue transformar essa inteligência em uma força de trabalho digital. Em vez de vender um chatbot, as empresas passam a oferecer agentes capazes de acessar sistemas, consultar bancos de dados, preencher planilhas, emitir documentos, acompanhar processos, responder clientes e tomar decisões dentro de regras previamente definidas.

Na prática, estamos assistindo ao nascimento de uma nova categoria de profissionais: colaboradores digitais que trabalham vinte e quatro horas por dia, não entram de férias, não ficam indisponíveis e conseguem executar milhares de tarefas simultaneamente. Não substituem completamente as pessoas, mas assumem uma parcela crescente do trabalho operacional, permitindo que os profissionais concentrem seu tempo em atividades que exigem julgamento, criatividade, negociação e estratégia.

Essa mudança também altera a maneira como medimos produtividade. Durante décadas, empresas cresceram contratando mais pessoas. O tamanho de uma operação era frequentemente associado ao número de funcionários. Nos próximos anos, esse indicador pode perder relevância. Organizações relativamente pequenas poderão operar com uma capacidade equivalente à de empresas muito maiores, apoiadas por dezenas ou centenas de agentes de IA executando processos em paralelo.

Isso explica por que a vantagem competitiva já não está simplesmente em adotar Inteligência Artificial. Hoje, praticamente todas as empresas têm acesso às mesmas tecnologias. A diferença passa a estar na capacidade de integrar a IA aos processos, conectar sistemas, organizar dados e permitir que esses agentes realmente trabalhem. Quem enxergar a IA apenas como um assistente de produtividade ganhará eficiência. Quem a enxergar como uma nova força operacional poderá redesenhar completamente seu modelo de negócio.

Há um paralelo interessante com a Revolução Industrial. Naquele momento, as máquinas passaram a executar atividades físicas que antes dependiam exclusivamente da força humana. Agora vivemos uma revolução semelhante, mas voltada ao trabalho intelectual e operacional. A máquina não apenas produz; ela interpreta informações, executa processos e colabora com decisões.

Nos próximos anos, provavelmente deixaremos de perguntar quantos funcionários uma empresa possui para perguntar quantos agentes inteligentes operam ao lado deles. Essa resposta dirá muito mais sobre sua capacidade de crescer do que o tamanho da equipe.

A maior transformação da Inteligência Artificial não será escrever um texto melhor ou responder uma pergunta mais rápido. Será redefinir quem, ou o que, realiza o trabalho dentro das organizações. E essa mudança já começou.

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Henrique Borges, empreendedor, investidor e fundador da Somos Young, empresa brasileira líder no setor educacional e uma das referências no país na aplicação de inteligência artificial para jornadas de relacionamento, CRM, captação, atendimento e geração de receita. Com formação em Publicidade e Propaganda e pós-graduação em Inovação, Henrique atua no mercado digital desde 1999, liderando projetos de marketing, transformação digital, marketing direto e growth para grandes marcas e instituições, como Petrobras, Iveco, Mondaine, Minas Arena, Governo do Estado de Minas Gerais, GoPro, Airbnb e Canais Globosat, entre outros grandes players. À frente da Somos Young, construiu uma trajetória voltada à transformação de negócios por meio de tecnologia, dados, inteligência artificial e estratégia. A empresa atua em projetos para alguns dos principais grupos de educação do país, como Unifenas, Fumec, Uniube, PUCPR e Rede Claretiano. No futebol, Henrique lidera algumas das principais iniciativas de relacionamento com torcedores baseado em IA no Brasil, com projetos desenvolvidos para clubes como Cruzeiro, Corinthians, Vasco, Grêmio, Vitória, Bahia, Sport e Coritiba, entre outros. Henrique é reconhecido por defender uma visão prática e estratégica da inteligência artificial: não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova camada de inteligência capaz de transformar operações, ampliar receitas e redesenhar companhias inteiras por meio da tecnologia. Atualmente, também desenvolve iniciativas de conteúdo e autoridade sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, no trabalho e na sociedade, incluindo o podcast O Último Humano, disponível no Spotify.