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Vida em Marte? Bactéria encontrada no RJ pode ajudar a desvendar grande mistério da ciência

Microrganismo identificado em lagoas hipersalinas da cidade de Araruama é estudado por pesquisadores para entender como formas de vida poderiam sobreviver às condições extremas do planeta vermelho

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Planeta Marte. • Divulgação | Nasa

Uma bactéria encontrada em lagoas hipersalinas do litoral do Rio de Janeiro pode ajudar a responder uma das maiores perguntas da ciência: "existe, ou já existiu, vida em Marte?". Pesquisadores do AstroLab, laboratório de Astrobiologia ligado ao Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), investigam a capacidade de sobrevivência do microrganismo em ambientes semelhantes aos do planeta vermelho.

O estudo concentra-se na bactéria Staphylococcus nepalensis (S. nepalensis), conhecida por suportar condições extremas de salinidade. Os cientistas utilizam experimentos que reproduzem as chamadas salmouras intermitentes de Marte, pequenos fluxos de água extremamente salgada que aparecem durante o verão marciano, permanecem líquidas por pouco tempo e congelam novamente durante a noite. A pesquisa busca compreender como organismos microscópicos poderiam se adaptar a um ambiente tão hostil.

A presença da bactéria no Brasil foi confirmada em 2019, após análises de amostras coletadas em lagoas hipersalinas da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro. O microrganismo foi encontrado na laguna Brejo do Espinho, localizada na cidade de Araruama, onde a concentração de sal varia drasticamente ao longo do ano devido aos períodos alternados de seca e chuva.

Essas mudanças tornam o ambiente extremamente desafiador para a maioria das formas de vida. No entanto, a S. nepalensis consegue sobreviver mesmo diante dessas oscilações, característica que chamou a atenção dos pesquisadores e a transformou em um modelo promissor para estudos sobre a habitabilidade de Marte.

Além dos experimentos que simulam as condições marcianas, a equipe também analisa o material genético da bactéria para identificar quais mecanismos moleculares permitem sua resistência. O objetivo é compreender melhor como microrganismos conseguem enfrentar ambientes extremos e ampliar o conhecimento sobre as condições que poderiam permitir a existência de vida em outros planetas e luas do Sistema Solar.

Descoberta reforça pesquisas sobre Marte

A Staphylococcus nepalensis foi descrita pela primeira vez em 2003, após ser encontrada no trato digestivo de cabras no Nepal. Desde então, também foi identificada em outros ambientes e hospedeiros, incluindo gatos domésticos e ecossistemas de alta salinidade.

Embora o estudo não represente uma evidência de que exista vida em Marte, ele fornece informações importantes sobre os limites da vida na Terra e ajuda cientistas a compreender quais organismos seriam capazes de sobreviver em condições semelhantes às encontradas no planeta vermelho.

Nos últimos anos, diversas missões espaciais têm reunido evidências de que Marte já apresentou ambientes potencialmente habitáveis, como antigos lagos, rios e moléculas orgânicas preservadas em rochas. A nova pesquisa brasileira amplia esse esforço científico ao investigar, em laboratório, como microrganismos terrestres poderiam resistir às condições extremas do planeta.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.