A campanha Janeiro Branco, que propõe ampliar o debate sobre
Segundo o psiquiatra Rodrigo Barreto Huguet, da Rede Mater Dei de Saúde, a combinação entre cobrança por produtividade constante e uso excessivo das redes sociais tem contribuído para o aumento de quadros de ansiedade, estresse e sofrimento emocional.
De acordo com o especialista, o adoecimento mental está relacionado a um modelo que envolve predisposição individual e exposição prolongada ao estresse.
“As pessoas têm vulnerabilidades ligadas à genética, ao temperamento e às experiências de vida. Quando essas vulnerabilidades encontram níveis altos e contínuos de estresse, a doença mental pode se manifestar”, explica.
A adolescência e o início da vida adulta, segundo o médico, já são fases naturalmente desafiadoras. A pressão por independência financeira, sucesso profissional e estabilidade emocional tende a aumentar o risco de transtornos. “Quem vive uma rotina excessiva de trabalho e obrigações, sem espaço para lazer, descanso e prazer, fica mais vulnerável ao adoecimento emocional”, afirma.
O psiquiatra destaca ainda outros fatores que contribuem para esse cenário, como uso abusivo de álcool e outras drogas, má alimentação, sono inadequado, sedentarismo e falta de vínculos sociais. Esses elementos, somados, criam um ambiente favorável ao desenvolvimento de transtornos mentais.
Alta performance e perfeccionismo
A cultura da alta performance é apontada como um dos principais fatores de risco para a saúde mental. Para explicar esse desequilíbrio, Rodrigo Huguet recorre à filosofia. “Como dizia Aristóteles, a virtude está no meio. Buscar excelência é positivo, mas quando a pessoa não se permite falhar, não se cuida e se cobra excessivamente, o perfeccionismo deixa de ser virtude e passa a causar ansiedade e angústia”, explica.
O médico reforça que metas são importantes, mas precisam ser acompanhadas de autocuidado. “A vida é o que acontece enquanto perseguimos essas metas”, afirma.
Efeitos prolongados da pandemia
Mesmo após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, seus efeitos continuam presentes. “Muitas pessoas ainda não conseguiram retomar hábitos saudáveis, como atividade física, e mantiveram comportamentos prejudiciais, como o uso excessivo de redes sociais”, observa o psiquiatra.
Nesse contexto, as plataformas digitais ganham destaque como fator de risco. Dados do Panorama da Saúde Mental 2024, do Instituto Cactus, apontam que o uso excessivo de redes sociais está associado a 45% dos casos de ansiedade entre jovens brasileiros.
“As redes sociais podem gerar ansiedade por tomarem tempo demais e afastarem as pessoas de atividades mais saudáveis, como exercício físico, estudo e convivência social. Além disso, a comparação constante com vidas idealizadas gera frustração e angústia”, explica Huguet.
O especialista alerta ainda para o impacto dos algoritmos. “Eles estimulam conteúdos que geram engajamento, muitas vezes por meio do ódio ou da polarização, o que aumenta o estresse e dificulta o diálogo”, afirma.
Prevenção deve começar cedo
Para o psiquiatra, a prevenção dos transtornos mentais deve começar na infância. “É fundamental oferecer às crianças um ambiente seguro e afetivo para o desenvolvimento emocional”, destaca.
Na vida adulta, ele reforça a importância do equilíbrio entre dever e lazer, cuidados com a saúde física, sono e alimentação adequados, além de bons relacionamentos.
Rodrigo Huguet também destaca a importância de buscar ajuda profissional.