Problemas de transtornos mentais são uma das principais causas de afastamento do trabalho e da perda de produtividade no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o trabalhador afetado perde, em média, 51 dias de vida saudável por ano, o que retira 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) potencial brasileiro.
O levantamento divulgado nessa terça-feira (20) mostra que os afastamentos equivalem a R$ 282 bilhões por ano. A pesquisa ainda indica que cerca de 21 milhões de trabalhadores já relataram problemas de saúde mental, sendo 8,3 milhões com depressão. Entre outros problemas mais frequentes, ainda estão os transtornos de ansiedade e bipolaridade.
A pesquisa aponta que doenças mentais possuem efeitos diretos nos indivíduos, como os custos de medicação, consultas médicas e hospitalizações, mas também efeitos indiretos, como perda de produtividade e perda de renda. No geral, essa combinação diminui a atividade econômica e aprofunda os níveis de pobreza e desigualdade.
Segundo a analista de saúde e segurança do trabalho do Sesi-MG, Camila Dulce Gorgulho, os transtornos mentais afetam a dinâmica das empresas de forma progressiva e silenciosa, gerando impactos para além dos afastamentos formais.
Ela explica que o “presenteísmo”, quando o trabalhador permanece em atividade mesmo sem estar bem, é um dos primeiros sinais e tende a elevar os custos operacionais, comprometendo a qualidade dos processos. “Quando o colaborador não está bem emocionalmente, é comum observar queda de concentração, aumento de erros, retrabalho e conflitos”, disse.
O estudo ainda avalia um impacto de perda de aproximadamente 801 mil postos de trabalho no país e a redução de R$ 165 bilhões na renda das famílias. O levantamento foi realizado com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, e do Sistema de Contas Nacionais de 2019, quando na época cerca de 20% das pessoas ocupadas no Brasil sofriam com algum problema relacionado a saúde mental.
Para reduzir os riscos, Gorgulho defende a consolidação de uma cultura de bem-estar que fortalece o engajamento e torna os ambientes de trabalho mais seguros, sustentáveis e humanos no longo prazo.
“Para mudar esse cenário, as empresas precisam adotar uma postura proativa de gestão de promoção da saúde mental, assumindo um papel ativo como fator de proteção e apoio social, e não como agente de adoecimento”, defende.