Já em queda firme em relação ao real ao longo da tarde, o dólar mergulhou no mercado doméstico na última hora de negócios desta segunda-feira, 9, com a melhora do apetite ao risco no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
Com mínima de 5,1601, o dólar à vista terminou o pregão em baixa de 1,52%, a R$ 5,1641 - menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro (R$ 5,1340), antes dos ataques iniciais ao Irã.
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Foi a segunda sessão consecutiva de forte queda da moeda norte-americana em relação ao real. A divisa ainda acumula alta de 0,59% nos seis primeiros pregões de março, após queda de 2,16%. No ano, o dólar apresenta desvalorização de 5,92%.
Em entrevista por telefone à rede de televisão CBS,
Principal termômetro do humor dos investidores em relação ao conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo experimentaram oscilações agudas. Após encerrarem a sessão regular em alta de 4,3% (WTI) e 6,8% (Brent), inverteram o sinal e passaram a cair no pregão eletrônico. A despeito do refresco no fim do dia, a commodity ainda exibe ganho superior a 20% no mês e avança quase 50% no ano.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY, que operava em leve alta, também mudou de direção. Quando o mercado local de câmbio fechou, o Dollar Index recuava 0,12%, aos 98,865 pontos, com mínima aos 99,695 pontos.
O real já brilhava antes da mudança de humor lá fora, exibindo de longe o melhor desempenho entre as poucas divisas emergentes e de países exportadores de commodities. A avaliação é que a moeda brasileira era beneficiada pela mudança no patamar dos preços do petróleo com o conflito no Oriente Médio.
O economista Robin Brooks, Brookings Institute, destaca que o real apresentou nos últimos dois dias desempenho superior ao de todas as outras divisas emergentes. Segundo Brooks, que é ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), a dinâmica recente dos preços do petróleo representa um “choque positivo enorme” para o Brasil e outros exportadores da commodity.
“Esse comportamento tem relação com o que aconteceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia. É um movimento similar nos termos de troca. É o momento ideal para o real”, afirmou Brooks, em post na rede social ‘X’.
Pela manhã, o dólar chegou a se aproximar de R$ 5,30, ao registrar máxima de R$ 5,2864. A depreciação do real se deu na esteira de um aumento expressivo da aversão ao risco no exterior
As cotações do petróleo se aproximaram de US$ 120 o barril diante de temores de um prolongamento da guerra, com manutenção do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, após a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã. Filho do aiatolá Ali Khamenei, morto por bombardeio conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, Mojtaba é visto como parte da linha-dura do regime.
Antes das declarações de Trump de que o fim da guerra está próximo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que não há espaço para discutir um cessar-fogo enquanto os ataques ao país continuarem. Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a ofensiva militar contra o Irã tem como objetivo enfraquecer a capacidade militar de Teerã, especialmente o arsenal de mísseis balísticos.
O diretor de portfólio da Oryx Capital, Luiz Arthur Hotz Fioreze, ressalta que há uma defasagem temporal entre a alta do petróleo e o aumento das exportações brasileiras, dado que demora certo tempo para que os novos preços sejam “internalizados nos contratos de exportação importação” - e para que o aumento de receita em dólar se reflita no mercado cambial
“A correlação entre a valorização do petróleo e a do real não é instantânea. Pesquisas indicam que o efeito de choques no preço do petróleo sobre o câmbio pode apresentar um ‘lag’ de aproximadamente 2 a 3 semanas”, afirma Fioreze.