Após um 2025 com mais de 19 produtos lançados no mercado derivativo, a B3 se prepara para lançar novos contratos preditivos para preços de ativos e até atrelados a eventos de indicadores macroeconômicos, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que algumas opções já estejam disponíveis em abril.
Segundo o vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou os contratos de dólar, bitcoin e Ibovespa, mas com a restrição para os investidores profissionais, ou seja, aqueles com carteira superior a mais de R$ 10 milhões.
“A gente tem conversas contínuas com a CVM, conversas de discussões conceituais em relação aos contratos. Estamos resolvendo os últimos detalhes técnicos para a aprovação dos contratos de IPCA e PIB”, disse Masagão, ressaltando que a restrição ainda é um ponto de debate com o regulador.
“Fazemos tudo super alinhado com eles, a gente trabalha muito próximo, discute, apresenta todos os nossos planos com antecedência. Mas a gente entende que esta colocação dos contratos serem somente para profissionais gera uma restrição a uma classe de investidores que têm muito interesse nesse perfil de produto”, destacou.
No mercado preditivo, popularizado por plataformas como o Polymarket e a Kalshi, permitem que usuários negociem contratos atrelados à ocorrências futuras com uma simplicidade que lembra as “bets”. Porém, o mercado baseia-se na análise de dados, estatísticas e probabilidades reais funcionando como derivativo, onde usuários negociam entre si, enquanto as bets são baseadas em “odds” e negociadas entre a pessoa física e a casa de apostas.
No caso dos contratos de dólar e Ibovespa, o investidor pode firmar contratos que indiquem, por exemplo, o fechamento dos ativos em um determinado dia. Nos contratos para indicadores macroeconômicos, os investidores podem usar estatísticas para tentarem prever o crescimento ou recuo na divulgação oficial.
Ainda de acordo com Masagão, o mercado preditivo será mais simples e transparente, minimizando os riscos do investidor se comparado com os contratos futuros, com a perda limitada na compra do prêmio do evento. “Para um investidor pessoa física operar um contrato preditivo ele tem menos risco que um contrato futuro, e hoje ele tem permissão para operar o futuro. Então, a gente está em conversas com a CVM para tentar eliminar essa restrição”, completou.
CVM acompanha evolução da proposta
Questionada sobre o mercado preditivo, a CVM informou que acompanha a evolução de iniciativas que possam ter interface com o mercado de capitais por meio de interações institucionais com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. No caso de instrumentos com características semelhantes a valores mobiliários ou derivativos, a autarquia destaca que a análise ocorre “à luz” da regulamentação vigente.
Nesse caso, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) informou que aprovou novos modelos de contratos derivativos restritos a investidores profissionais. Entre os instrumentos que receberam aval da pasta estão “opções de compra e de venda sobre Índice Bovespa, dólar, Bitcoin, Ethereum, Solana, IPCA e PIB”.
“Cabe esclarecer que a análise da CVM ocorreu sobre contratos derivativos que, na avaliação da área técnica, atendem às regras aplicáveis, ainda que possam ser descritos como instrumentos associados a eventos”, disse a reguladora.