B3 vai lançar contratos preditivos até abril, mas com restrição de investidores

Produtos que permitem investimentos em eventos futuros fazem parte da agenda da Bolsa brasileira para 2026

Contratos serão restritos aos investidores profissionais

Após um 2025 com mais de 19 produtos lançados no mercado derivativo, a B3 se prepara para lançar novos contratos preditivos para preços de ativos e até atrelados a eventos de indicadores macroeconômicos, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que algumas opções já estejam disponíveis em abril.

Segundo o vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou os contratos de dólar, bitcoin e Ibovespa, mas com a restrição para os investidores profissionais, ou seja, aqueles com carteira superior a mais de R$ 10 milhões.

“A gente tem conversas contínuas com a CVM, conversas de discussões conceituais em relação aos contratos. Estamos resolvendo os últimos detalhes técnicos para a aprovação dos contratos de IPCA e PIB”, disse Masagão, ressaltando que a restrição ainda é um ponto de debate com o regulador.

“Fazemos tudo super alinhado com eles, a gente trabalha muito próximo, discute, apresenta todos os nossos planos com antecedência. Mas a gente entende que esta colocação dos contratos serem somente para profissionais gera uma restrição a uma classe de investidores que têm muito interesse nesse perfil de produto”, destacou.

No mercado preditivo, popularizado por plataformas como o Polymarket e a Kalshi, permitem que usuários negociem contratos atrelados à ocorrências futuras com uma simplicidade que lembra as “bets”. Porém, o mercado baseia-se na análise de dados, estatísticas e probabilidades reais funcionando como derivativo, onde usuários negociam entre si, enquanto as bets são baseadas em “odds” e negociadas entre a pessoa física e a casa de apostas.

No caso dos contratos de dólar e Ibovespa, o investidor pode firmar contratos que indiquem, por exemplo, o fechamento dos ativos em um determinado dia. Nos contratos para indicadores macroeconômicos, os investidores podem usar estatísticas para tentarem prever o crescimento ou recuo na divulgação oficial.

Ainda de acordo com Masagão, o mercado preditivo será mais simples e transparente, minimizando os riscos do investidor se comparado com os contratos futuros, com a perda limitada na compra do prêmio do evento. “Para um investidor pessoa física operar um contrato preditivo ele tem menos risco que um contrato futuro, e hoje ele tem permissão para operar o futuro. Então, a gente está em conversas com a CVM para tentar eliminar essa restrição”, completou.

CVM acompanha evolução da proposta

Questionada sobre o mercado preditivo, a CVM informou que acompanha a evolução de iniciativas que possam ter interface com o mercado de capitais por meio de interações institucionais com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. No caso de instrumentos com características semelhantes a valores mobiliários ou derivativos, a autarquia destaca que a análise ocorre “à luz” da regulamentação vigente.

Nesse caso, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) informou que aprovou novos modelos de contratos derivativos restritos a investidores profissionais. Entre os instrumentos que receberam aval da pasta estão “opções de compra e de venda sobre Índice Bovespa, dólar, Bitcoin, Ethereum, Solana, IPCA e PIB”.

“Cabe esclarecer que a análise da CVM ocorreu sobre contratos derivativos que, na avaliação da área técnica, atendem às regras aplicáveis, ainda que possam ser descritos como instrumentos associados a eventos”, disse a reguladora.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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