O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum do Brasil e representa 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo dados do Ministério da Saúde. O Carcinoma Basocelular, o Carcinoma Espinocelular e o Melanoma são os tumores de pele mais frequentes, respectivamente. Especialistas ouvidos pela Itatiaia explicam as diferenças entre os principais tipos.
Com gravidade variada entre os tipos mais comuns, o câncer de pele tem taxa de cura superior a 90% se for descoberta no início. A oncologista Carolina Cardoso explica que o melanoma, apesar de não ser o mais frequente entre os três, é o mais agressivo.
Uma das principais diferenças entre os três tipos de câncer de pele é o fator de risco. O desenvolvimento do melanoma, por exemplo, está relacionado a uma exposição intensa e intermitente ao sol.
“Por exemplo, aquela pessoa que tira férias duas vezes por ano e tem uma exposição solar muito intensa de queimadura solar. Tem gente que vai para a praia, tem até aquela queimadura de segundo grau, faz bolha e depois está tudo tranquilo. Essas pessoas têm uma predisposição maior a desenvolver melanoma”, explicou Carolina Cardoso à reportagem da Itatiaia.
Já o Carcinoma Basocelular (CBC) e o Carcinoma Espinocelular (CEC) estão relacionados a uma exposição contínua ao sol, ao longo da vida. Com isso, tanto o CBC, quanto o CEC, são mais comuns em idosos ou pessoas acima de 50 anos.
A oncologista Carolina Cardoso ressalta ainda que, apesar dessa diferença no fator de risco, isso não impede que pessoas que tenham se exposto de forma contínua ao sol, ao longo da vida, não possam desenvolver o melanoma.
Enquanto o carcinoma espinocelular (CEC) se desenvolve nas
Risco de metástase
Com risco alto de virar metástase, o melanoma pode se aprofundar na pele e cair na corrente sanguínea. “O melanoma, mesmo pequenininho, tem um potencial de se aprofundar na pele. Esse é um dos critérios de avaliação nossa, não necessariamente o tamanho que a gente vê, mas o quão profundo ele está. Ele tem esse potencial de aprofundar e acometer estruturas mais profundas, cair na corrente sanguínea e aparecer metástases, que são lesões à distância”, detalhou Carolina Cardoso.
Ainda segundo a oncologista, apesar de existirem casos na literatura médica, é raro que o mesmo aconteça com o Carcinoma Basocelular (CBC) e o Carcinoma Espinocelular (CEC). Resolvidos com uma cirurgia considerada comum, o CEC e o CBC, podem gerar mais prejuízos locais. Segundo o oncologista Flávio Brandão, o carcinoma é caracterizado por aquela ferida que não cicatriza adequadamente.
“Eles se apresentam mais como lesões nodulares. Por vezes, lesões ulceradas, uma ferida que não cicatriza adequadamente. É também lesões ceratóticas. Às vezes, a lesão até pode formar uma coisa que a gente chama de corno, uma estrutura mais endurecida, com a consistência mais ou menos de uma unha”, informou o oncologista Flávio Brandão.
Apesar de ser raro, o carcinoma espinocelular e o carcinoma basocelular podem gerar metástase caso sejam de longa evolução, quando a pessoa demora a procurar atendimento médico, ou quando há reicidiva, ou seja, o reaparecimento da ferida no mesmo lugar.
“As metástases são raras. O tratamento em si é cirúrgico. A gente tem que fazer a cirurgia retirando a lesão por completo. Quando a gente vai avaliar essa esse material retirado, microscopicamente, a gente avalia se as margens da cirurgia estão livres da doença, ou seja, se não existe tumor na margem cirúrgica. Isso, em geral, é suficiente para cura da doença. Então, na grande maioria dos casos, ela vai ser curada com tratamento cirúrgico”, explica o oncologista Flávio Brandão.
Principais sinais
O oncologista Flávio Brandão explica que, em geral, as feridas do carcinoma espinocelular sejam encontrados na região do rosto, uma área muito exposta ao sol. Outra área considerada de risco são os membros superiores. O especialista também chama atenção para a área da calvíce.
“A região da calvície, geralmente, do couro cabeludo, é uma área que não costuma receber sol por uma boa parte da vida. Mas nas pessoas calvas, elas acabam recebendo uma quantidade de sol maior e é uma pele de alto risco para o aparecimento dessas lesões”, reforça Flávio Brandão.
Os sinais do melanoma também são mais comuns em áreas fotoexpostas, como rosto e mão, além do pescoço e região dorsal, principalmente, entre homens. A oncologista Carolina Cardoso ainda detalha que o melanoma pode aparecer em regiões inusitadas, como embaixo das unhas.
“São melanomas que podem dar embaixo da unha. Fica como se fosse uma linhazinha mais escura na unha, pode dar na palma da mão, na planta do pé. Esses melanomas são mais graves, porque eles têm uma biologia diferente. Eles não parecem muito com o melanoma cutâneo que dá nessas outras áreas”, explica a oncologista.
Segundo Carolina Cardoso, existe ainda o melanoma de mucosa. “Então, por exemplo, pode dar melanoma dentro da boca, pode dar melanoma no reto, pode dar melanoma na região da vulva, na vagina. Outros especialistas que não tem nada a ver com a dermatologia tem que estar atentos a isso também. Porque não raro acontecem algumas lesões aí enegrecidas nessas regiões e os profissionais ficam perdidos, sem saber o que que é.”
Sinais do carcinoma espinocelular
- Uma ferida que não cicatriza ou que cicatriza e reaparece no mesmo local. Este é um dos sinais de alerta mais característicos.
- Uma mancha avermelhada persistente, com superfície áspera, descamativa ou com crostas.
- Um nódulo ou caroço firme, avermelhado, que pode ter uma aparência semelhante a uma verruga e crescer progressivamente.
- Uma lesão elevada com uma depressão central que pode sangrar ocasionalmente.
- Uma área na pele que se torna sensível, dolorida ou apresenta coceira sem uma causa aparente.
Sinais do carcinoma basocelular
- Mancha ou placa avermelhada, plana e escamosa;
- Ferida que não cicatriza, sangra, forma crostas e reaparece;
- Lesão semelhante a cicatriz, esbranquiçada, amarelada ou cerosa, com bordas pouco definidas;
- Lesão pigmentada escura, que pode ser confundida com melanoma.
Sinais do melanoma
- Alterações nas pintas (nevos): crescimento, mudança de cor, forma ou bordas irregulares, coceira, sangramento ou ulceração.
- Surgimento de novas manchas na pele: com características irregulares, cores variadas (preto, marrom, vermelho, branco) ou que apresentem crescimento rápido.
- Manchas ou caroços pretos ou castanhos na pele: que não cicatrizam em algumas semanas.
Diagnóstico precoce
A descoberta precoce dos três tipos de câncer pode auxiliar no sucesso do tratamento. O mais comum é que um dermatologista faça o diagnóstico. Mas o oncologista Flávio Brandão explica que outros especialistas e, até mesmo, um clínico-geral podem auxiliar na descoberta do tumor, a partir da suspeita de uma lesão.
“No sistema público de saúde, por exemplo, as pessoas não conseguem marcar uma consulta diretamente com o dermatologista. Nesse caso, ela deve procurar o clínico do posto de saúde, o médico generalista e fazer a queixa. O médico vai avaliar ou se ele vai encaminhar para o dermatologista mas, muitas vezes, quando a suspeita for muito alta, ele pode encaminhar direto para o cirurgião fazer a biópsia, porque aí você já dá o diagnóstico e já pode planejar o tratamento”, defende Flávio Brandão.
A biópsia é caracterizada pela remoção de uma pequena amostra da lesão, que é removida e enviada para análise laboratorial, que pode confirmar a presença de células cancerígenas.
Prevenção
A fotoproteção é a principal medida de prevenção nos três tipos de câncer, isto é, o uso regular de protetor solar de amplo espectro, a utilização de roupas, chapéus e óculos de sol, e evitar a exposição solar nos horários de maior incidência de raios UV (geralmente entre 10h e 16h).
*Sob supervisão de Lucas Borges