Ouvindo...

Times

Enchentes no RS podem favorecer doenças como a leptospirose: saiba sintomas e como se prevenir

Doença é transmitida pelo contato direto ou indireto com urina de animais infectados, principalmente roedores

Com as enchentes que assolam o Rio Grande do Sul desde do fim de abril, milhões de pessoas tiveram contato com as águas de enxurradas para buscar abrigo em um local seguro ou para salvar alguém ou um animal. O grande problema, é que nessas situações as pessoas arriscam se infectarem com bactérias presentes na água contaminada, como a leptospira, causadora da leptospirose.

Conforme o Ministério da Saúde, essa doença é uma zoonose transmitida a partir do contato direto ou indireto com a urina de animais, principalmente de ratos, infectados pela bactéria. No Rio Grande do Sul, com as enchentes, as águas da chuva acumuladas se misturaram com a água dos esgotos, lixo e destroços, contribuindo para a proliferação da bactéria.

Em entrevista à Itatiaia, o infectologista Cristiano Galvão, da Oncoclínicas, deu detalhes sobre a doença. “A leptospirose causa uma infecção crônica renal nesses animais [de pequeno porte e roedores]. Dessa forma, a bactéria acaba sendo eliminada na urina dos animais, o que acaba contaminando o homem”, pontua. Ele acrescenta que os pacientes podem apresentar sintomas leves até fatais.

Leia também

Contaminação

De acordo com Galvão, a bactéria leptospira pode sobreviver de semanas a meses quando estão em contato com água. Contudo, ele pontua que para haver a infecção a bactéria precisa ter contato com peles lesionadas ou, em casos de infecção a partir da pele íntegra, que as pessoas fiquem em contato por um grande período com a água contaminada.

Prevenção

A leptospirose é uma doença muito associada ao saneamento básico. “Os modos de prevenção, são basicamente evitar o contato com água que possam estar contaminadas, evitar o contato com urina de animais infectados, principalmente ratos”, afirma o infectologista.

Galvão também alerta para que as pessoas evitem nadar em locais onde a água tem fonte desconhecida. “Evite até de molhar a perna e a pele em locais em que não há a certeza de que há contato com águas de esgoto, principalmente se a pessoa tiver algum ferimento, alguma lesão na pele, porque isso facilita a entrada da bactéria”, acrescentou.

Rio Grande do Sul

Com a situação de calamidade no Rio Grande do Sul, muitas pessoas não tem a escolha de entrar ou não em água contaminada. “A gente sabe que é difícil falara para as pessoas não terem contato com a água nesse contexto. Mas quem precisa entrar, principalmente as equipes de resgate, recomendamos o uso de roupas de proteção, se possível usar luvas, botas e evitar a submersão nas águas”, aconselha Galvão.

Outra dica é que o infectologista dá nesse cenário, é que as pessoas que precisam entrar em contato com as águas contaminadas tentem fazer intervalos entre as jornadas.

Sintomas

Galvão destaca os seguintes sintomas iniciais da leptospirose:

  • Dor de cabeça (cefaleia)
  • Dor no corpo (mialgia)
  • Calafrios
  • Febre
  • Tosse
  • Dor no peito
  • Sangramento Nasal
  • Sufusão Conjuntival (quando os olhos ficam mais vermelhos)

Na forma grave, também conhecida como leptospirose ictérica, ele alerta para esses sintomas:

  • Comprometimento do fígado e do baço
  • Hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos)
  • Sangramentos
  • Queda de plaqueta
  • Sepse

Morte por leptospirose no Rio Grande do Sul

A Secretaria Municipal de Saúde de Travesseiro, no Vale do Taquaril, comunicou nesse domingo (19) a morte de um homem de 67 anos em decorrência da leptospirose. A região é uma das mais afetadas pelas enchentes que assola o sul do Brasil.


Participe dos canais da Itatiaia:

Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
Leia mais