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Cólera é uma das doenças transmitidas em água de enchente: saiba sintomas e prevenção

Milhares de pessoas estão sem saneamento básico no Rio Grande do Sul, o que é um fator de risco para o aumento de casos de cólera na região

Desde o fim de abril, moradores do Rio Grande do Sul têm sofrido com enchentes causadas por chuvas constantes no estado. A tragédia fez com que milhares de pessoas tivessem que entrar em contato com águas sujas das enxurradas para salvarem a si, os entes queridos e animais de estimação - cerca de 2,3 milhões foram afetados. Com a exposição às águas contaminadas, muitas pessoas ficaram vulneráveis a infecções, como a Cólera.

Essa doença é transmitida pela via fecal-oral, ou seja, pelo contato com fezes contaminadas na boca, e como o saneamento básico dos municípios afetados pelas enchentes está precário, sem água ou rede de esgoto, novos casos de cólera podem surgir. Em entrevista à Itatiaia, o infectologista Cristiano Galvão, da Oncoclínicas, explicou que a infecção é causada por uma bactéria e os sintomas acontecem devido à intoxicação do nosso organismo com uma toxina liberada por ela.

“A substância se liga às paredes intestinais, alterando o fluxo de sódio e cloreto do organismo, o que faz com que o corpo libere grandes quantidades de água em forma de diarreia e vômito”, explica o profissional.

Sintomas da doença

Conforme Galvão, a maioria das pessoas infectadas pela cólera não apresentam sintomas. Contudo, mesmo sem os indicativos da infecção, os pacientes continuam transmitindo a doença. Entre os sintomas mais comuns o infectologista destaca:

  • Diarreia (que pode ser leve ou grave, com perda importante de água);
  • Náuseas e vômitos;
  • Febre baixa;
  • Cólicas abdominais;
  • Desidratação;
  • Queda de pressão arterial;
  • Pele seca
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Como prevenir a cólera

A falta de água tratada e problemas no sistema de esgoto de milhares de residências no Rio Grande do Sul é um grande complicador para a prevenção da cólera. Isso, porque a higiene pessoal, o tratamento de esgoto e a higiene de alimentos é crucial para evitar a contaminação. Além disso, muitos municípios ainda não retomaram os serviços de limpeza urbana, como a coleta e a destinação do lixo, ou conseguiram fazer a drenagem e o manejo da água das chuvas. Todos esses pontos são importantes para impedir a proliferação da bactéria da cólera.

Por isso, é importante que pessoas em áreas de risco, sempre que puderem, evitem ter contato com a água das enchentes. Caso não seja possível evitá-las, as pessoas devem tentar utilizar equipamentos de segurança como botas e roupas emborrachadas, e evitar deixar que a água entre em contato com a boca. Outro ponto crucial é que as pessoas tentem fazer refeições cozidas e evitem comer peixes e mariscos crus ou mal cozidos.

Possíveis Complicações

O Ministério da Saúde alerta para as possíveis complicações devido à persistência dos quadros de diarreia e vômitos - o que leva a desidratação. Veja abaixo:

  • choque hipovolêmico (diminuição da quantidade de sangue circulante no corpo);
  • necrose renal;
  • fraqueza intestinal;
  • queda de potássio no sangue, levando a arritmias cardíacas;
  • hipoglicemia, com convulsões e coma em crianças;
  • Em gestantes, o choque hipovolêmico pode induzir a ocorrência de aborto e parto prematuro.

Tratamento

O tratamento da cólera é fundamentalmente feito com a reposição de água e sais minerais. Nos casos mais graves, o médico afirma que o paciente deve receber a hidratação por via endovenosa e é indicado o uso de antibióticos.

“A gente tem antibióticos disponíveis para combater a bactéria que vão reduzir o tempo da infecção. Então, esse tratamento é feito geralmente em regime hospitalar através do uso de antibióticos e de hidratação endovenosa”, esclarece Galvão.


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Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
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