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Volta da cólera no Brasil: o que é transmissão autóctone?

Mesmo com a doença erradicada no país, Brasil chegou a registrar três casos de cóleras importados; entenda o porquê da transmissão autóctone marcar a volta da doença no território brasileiro

Erradicada no país desde 2006, o Brasil já tinha notificado três casos de cólera em 2006, 2011 e 2016, vindos da Angola, da República Dominicana e de Moçambique, respectivamente e, portanto, foram considerados importados. Contudo, o primeiro caso desde 2006 de cólera por transmissão autóctone foi confirmado pelo Ministério da Saúde na última sexta-feira (16). Entenda o que é esse tipo de transmissão, e por que ela marca a volta da doença ao Brasil.

O que é transmissão autóctone?

Em entrevista à Itatiaia, a infectologista Raquel Bandeira, coordenadora do serviço de controle de infecção hospitalar do Hospital Universitário Ciências Medicas Minas Gerais, explicou que a transmissão autóctone é aquela que não é importada de outro país. Dessa forma, a bactéria circulou no Brasil e o paciente foi infectado aqui no país.

“Não se trata de um indivíduo que veio doente de fora e a doença acabou sendo diagnosticada no Brasil, ou de um indivíduo que tem histórico de deslocamento de para países com ocorrência de caso confirmados. O que significa que ele pegou a doença no Brasil, então houve a circulação da bactéria na região onde ele foi infectado”, pontua.

Existe a possibilidade um surto da doença no Brasil?

Bandeira aponta que, no caso divulgado pelo Ministério da Saúde, o homem de 60 anos foi diagnosticado em março desse ano e, caso ele seja o paciente fonte, ou seja, aquele que transmitiria a doença para outras pessoas, ele já não estaria contaminando desde o dia 10 de abril.

“Nesse caso específico é um homem de 60 anos diagnosticado com a cólera em março de 2024. Considerando o período de transmissão que é de 1 a 10 dias após a infecção, e se consideramos no máximo até 20 dias considerando um cenário epidemiológico pior, não há transmissão por esse paciente fonte desde o dia 10 de Abril. Então, por esse caso, não há um risco de ter um surto de cólera no Brasil”, diz

Contudo, a especialista destaca que podem existir indivíduos que estão infectados, mas estão assintomáticos e que estariam transmitindo a doença. “Se na cadeia epidemiológica alguém começar a ter os sintomas, aí a gente pode conseguir detectar novos casos. Por isso, que agora é um período de vigilância epidemiológica onde diarreias da região suspeitas devem ser investigadas para uma possível infecção pela cólera”, pontua.

O que é a cólera?

O infectologista Cristiano Galvão, da Oncoclínicas, explica que a cólera é uma doença bacteriana, transmitida principalmente por água e alimentos contaminados. A doença é causada por uma toxina liberada pela bactéria Vibrio cholerae. A substância se liga às paredes intestinais, alterando o fluxo de sódio e cloreto do organismo, o que faz com que o corpo libere grandes quantidades de água em forma de diarreia e vômito.

A cólera mata?

"(A cólera) causa uma alteração na absorção do intestino. Inicialmente ela aparece como uma diarreia leve e vai até casos de diarreias graves, que podem causar uma desidratação que exige internação hospitalar, até com chance de óbito. Então, a cólera é uma doença que tem o potencial de gravidade grande e está relacionada a questão do saneamento básico”, afirma o especialista.

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Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
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