Não se pode falar de punk e rock and roll sem falar de Lou Reed. Vocalista, guitarrista e compositor do The Velvet Underground, Reed construiu uma carreira marcada por atitude, personalidade forte e controvérsias. Ao longo de décadas, sua obra desafiou padrões estéticos, morais e comerciais, tanto com a banda quanto em sua trajetória solo.
Letras que romperam o silêncio em tempos de censura
Em um período histórico marcado por censura e discriminação, Lou Reed escolheu não suavizar a realidade. Suas letras falavam abertamente sobre sexo, drogas e a vida nas ruas, em contraste direto com a produção musical dominante da época, que insistia em narrativas idealizadas de amor e escapismo. Esse olhar cru sobre o cotidiano urbano se tornou uma das marcas centrais de sua obra.
O nascimento do Velvet Underground em Nova York
Lou Reed e o espírito rebelde que redefiniu o punk e o rock
O Velvet Underground foi fundado em Nova York, no início da década de 1960, e rapidamente chamou a atenção de Andy Warhol, principal nome da Pop Art. Warhol não apenas produziu a banda, como também criou a icônica arte do primeiro disco, The Velvet Underground & Nico. Apesar da estética revolucionária, o álbum teve vendas modestas, com cerca de dez mil cópias comercializadas.
LEIA MAIS:
O disco que poucos compraram e muitos transformaram em legado
O impacto do álbum não foi medido em números. Há uma frase célebre que resume bem esse paradoxo: dizem que todos que compraram o disco acabaram montando uma banda. O trabalho introduziu novas possibilidades sonoras e narrativas, influenciando gerações inteiras de músicos e artistas que viriam depois.
Canções que retrataram a realidade sem filtros
Entre as faixas mais emblemáticas do disco estão “Waiting for the Man”, que descreve a espera de um usuário por seu traficante, e “Heroin”, uma narrativa direta e desconfortável sobre a experiência do uso da droga. Em um cenário cultural que evitava esses temas, Lou Reed escolheu expor aquilo que muitos preferiam ignorar.
Influência que atravessou fronteiras e sistemas políticos
A influência do Velvet Underground ultrapassou o universo musical. Um dos ouvintes mais ilustres foi Václav Havel, líder revolucionário da então Tchecoslováquia. Havel e seu grupo ouviam o disco diariamente como forma de inspiração para a luta por liberdade e igualdade social. Após a queda do comunismo, Havel se tornaria o último presidente da Tchecoslováquia e o primeiro presidente da República Tcheca.
O fim da banda e o início de uma carreira solo
O Velvet Underground lançou mais quatro discos antes de encerrar suas atividades em 1973. Lou Reed já havia iniciado sua carreira solo em 1971, após deixar a banda, consolidando-se como um artista independente, experimental e disposto a continuar desafiando expectativas.
Reencontro histórico e reconhecimento institucional
Em 1992, o Velvet Underground realizou uma turnê de reunião pela Europa e pelos Estados Unidos. Anos depois, em 16 de setembro de 1998, a pedido de Václav Havel, Lou Reed se apresentou na Casa Branca, em Washington, em uma homenagem ao líder tcheco, apresentado pelo então presidente Bill Clinton.
Consagração e legado permanente
Em 1996, o Velvet Underground foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame, com apresentação feita pela cantora e poeta Patti Smith. Lou Reed seguiu compondo, gravando e se apresentando por anos, mantendo viva uma obra que continua influenciando músicos, escritores e pensadores ao redor do mundo.