Laíssa Ferreira Por Lucas Machado
Para Laíssa Ferreira, representar Minas Gerais não está ligado ao local onde nasceu, mas ao lugar onde criou raízes. Nascida em Brasília, foi ainda criança que se mudou para Varjão de Minas, cidade que a formou no cotidiano, nos afetos e nos valores. É ali que ela aprendeu a caminhar com calma, a falar com respeito e a sustentar firmeza sem rigidez. O título, assim, não inaugura sua identidade mineira, apenas amplia uma história que começou cedo, no interior, e segue sendo construída a partir do pertencimento.
Laissa Ferreira: Miss Universe Minas Gerais
Laissa Ferreira Miss Universe Minas Gerais
O instante em que a autocrítica perde força
Assumir o título não veio acompanhado de uma sensação de perfeição alcançada. Pelo contrário. Laíssa identifica que o momento decisivo aconteceu quando deixou de se exigir além do necessário. A prontidão surgiu a partir da aceitação da própria verdade, quando a dúvida constante deu lugar a uma presença mais segura e consciente.
Crescimento que redefine discurso
A trajetória pessoal de Laíssa impacta diretamente a forma como ela fala e se posiciona. Ela reconhece que amadurecer envolve desconforto e que esse processo trouxe mais clareza sobre quem ela é hoje. O discurso se tornou mais firme, menos reativo e mais alinhado a limites bem definidos, construídos ao longo da própria história.
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Os maiores desafios não vieram de fora. A insegurança e a cobrança excessiva foram pontos centrais a serem enfrentados. Com o tempo, Laíssa passou a entender que integridade não exige excesso. Ser inteira, para ela, deixou de ser meta e passou a ser ponto de equilíbrio, o que alterou sua relação consigo mesma e com o ambiente ao redor.
Imagem como meio de comunicação
Laíssa trata a beleza como recurso, não como identidade. Ela reconhece o impacto visual que o universo Miss carrega, mas não sustenta sua atuação apenas nisso. A imagem chama atenção, mas o que permanece é postura, intenção e coerência. É nesse ponto que ela constrói presença e discurso.
Depois da faixa, outra relação consigo mesma
A conquista trouxe mudanças práticas na forma como Laíssa se escuta. A comparação perdeu espaço e a gentileza consigo mesma passou a orientar decisões. Esse ajuste interno influenciou diretamente a maneira como ela lida com visibilidade e expectativas externas.
Expectativa pública sem apagamento pessoal
Laíssa compreende o peso simbólico do Miss Universe, mas não se dispõe a se moldar a imagens irreais. Representar, para ela, não significa se apagar. O compromisso está em sustentar quem ela é, mesmo diante da projeção que o título gera.
Princípios que não entram em negociação
Respeito, verdade e caráter funcionam como base fixa da sua trajetória. Laíssa deixa claro que nenhum reconhecimento faz sentido se não estiver sustentado por esses valores. Eles orientam escolhas, falas e limites, independentemente do contexto.
Quando a experiência deixa de ser individual, algo muda de lugar por dentro. Laíssa percebeu isso no instante em que sua própria história deixou de morar apenas nela e passou a ecoar em outras mulheres. O título, então, perdeu o peso do espelho e ganhou a leveza da ponte. Já não era sobre ser vista, mas sobre ser reconhecida. Não como exceção, mas como possibilidade compartilhada.
Cuidar da própria emoção virou um gesto de sabedoria. Estudante de segurança do trabalho, ela aprendeu que proteger também é saber parar, escolher o silêncio e respeitar limites invisíveis. Nem tudo precisa ser explicado, nem toda ausência é fuga. Às vezes, preservar é um ato de coragem silenciosa, daqueles que não pedem aplauso, mas sustentam o caminho.
Ao levar Minas Gerais para o discurso nacional, Laíssa carrega uma lição simples e profunda: força não precisa gritar. A delicadeza pode caminhar ao lado da firmeza sem perder autoridade. Quando a origem é compreendida, ela deixa de ser peso e se torna direção. Minas, nela, não é cenário. É fundamento.
E o futuro não aparece como linha de chegada, mas como estrada aberta. Laíssa entende essa fase como travessia, não como destino. A faixa amplia horizontes, mas não determina onde se deve ficar. O que ela busca construir vai além do título, além do tempo, além do palco. Algo que permaneça quando o brilho se apaga e só a verdade continua andando.