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Quais os integrantes e quais os papéis dos vereadores da nova comissão que pode cassar Ganem

Comissão foi sorteada nesta terça-feira (14) após a Câmara aceitar nova denúncia contra o vereador de forma unânime

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Vereadores na mesa diretora leem nomes de colegas sorteados para compor a comissão processante
Vereadores na mesa diretora leem nomes de colegas sorteados para compor a comissão processante • Claudio Rabelo/CMBH

Nesta terça-feira (14), imediatamente após aprovar unanimemente o recebimento de uma segunda denúncia contra o vereador Lucas Ganem (MDB), a Câmara Municipal de Belo Horizonte definiu a formação da comissão processante que avaliará o caso que pode levar o parlamentar à cassação de mandato.

 

José Ferreira (Podemos) será o presidente e coordenará os trabalhos; Marilda Portela (PL), será a relatora e ficará responsável por estabelecer o parecer final da investigação; e Juninho Los Hermanos (Avante) fecha a composição do grupo. O prazo para a conclusão das etapas de instrução, defesa e julgamento é de 90 dias.

 

O presidente da comissão, José Ferreira, é alinhado ao presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), que se viu pessoalmente ameaçado em seu partido diante do andamento do primeiro e malfadado processo de cassação de Ganem.

 

Lopes chegou a relatar ameaças de exclusão de seu partido, o Podemos, por ter pautado o antigo processo em plenário. Lucas faz parte de uma família proeminente na legenda em outros estados.

 

O próprio Ganem chegou à Câmara Municipal de BH concorrendo pelo Podemos em 2024. Em seu primeiro ato, em 1º de janeiro de 2025, votou contra a legenda na disputa pela presidência da Casa, que terminou vencida por Juliano Lopes. Na última janela partidária, o parlamentar sob investigação migrou para o MDB.

 

O novo processo

 

Ganem já foi alvo de uma comissão processante na Câmara de BH pelo mesmo motivo. Os trabalhos foram iniciados em janeiro deste ano, mas o processo terminou arquivado diante da decisão da Justiça pela suspensão dos trabalhos no Legislativo.

 

Assim como no processo anterior, a denúncia atual é justificado pela fraude no domicílio eleitoral e pela montagem de uma estrutura administrativa artificial.

 

O documento questiona novamente o fato de que o vereador afirmou morar em uma residência no Bairro Trevo, na Região da Pampulha,  embora nunca tenha morado lá, conforme apontado no inquérito feito pela Polícia Federal em processo que corre na Justiça para averiguar a possível irregularidade eleitoral.

 

Em relação à estrutura administrativa artificial, a denúncia aponta que um relatório de geolocalização do cartão-benefício de alimentação da Câmara mostra que nove servidores do gabinete de Ganem concentraram de 53% a 100% de seus gastos em municípios paulistas em dias úteis de 2025.

 

Natural de Indaiatuba, interior de São Paulo, Ganem foi eleito com uma campanha baseada na defesa do direito dos animais. Em uma das reuniões da comissão processante, Ganem chegou a admitir que se mudou para Belo Horizonte logo que foi eleito vereador de BH. A Lei Eleitoral, no entanto, determina que os candidatos já morem no município em que disputarão o pleito ao menos seis meses antes da votação.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.