O julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes começa nesta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF), quase oito anos após o crime que chocou o país e ganhou repercussão internacional.
A demora até a análise do caso pela Corte é resultado da complexidade das investigações, mudanças na condução do inquérito e da dificuldade em identificar os supostos mandantes do assassinato.
Executores presos, mas mandantes desconhecidos
Logo após o crime, as investigações ficaram sob responsabilidade da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em março de 2019, foram presos o ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos, e o também ex-PM Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado na emboscada.
Apesar das prisões, a apuração não conseguiu, naquele momento, esclarecer quem teria ordenado o assassinato.
Mudanças na investigação
Ao longo dos anos seguintes, o caso passou por diferentes linhas investigativas e trocas de equipes responsáveis pelo inquérito, o que contribuiu para o prolongamento das apurações.
Foi somente em 2023 que o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a entrada da Polícia Federal nas investigações, considerada um ponto de virada no andamento do caso.
O peso da delação premiada
O avanço mais significativo ocorreu após o acordo de colaboração premiada firmado por Ronnie Lessa - assassino confesso. A delação permitiu aos investigadores reunir novos depoimentos e documentos que, segundo a Procuradoria-Geral da República, ajudaram a reconstruir a cadeia de comando do crime.
Com base nesses elementos, a Polícia Federal realizou, em março de 2024, a operação que levou à prisão dos acusados apontados como mandantes.
Após a apresentação da denúncia pela Procuradoria-Geral da República, o Supremo ainda precisou cumprir etapas previstas no processo penal, como análise das defesas, produção de provas e instrução da ação penal.
Somente após essa fase o caso ficou pronto para julgamento.
O início da análise pelo STF representa, portanto, a etapa mais avançada desde o assassinato da vereadora e ocorre em meio à expectativa por uma resposta definitiva sobre a autoria intelectual do crime.