Polícia Civil isenta Bolsonaro e indicia sargento por arma apreendida em blitz
Relatório enviado ao STF conclui que o ex-presidente tinha registro válido da pistola; militar foi indiciado por porte ilegal de arma de uso restrito

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro não cometeu crime no episódio envolvendo uma pistola Glock calibre 9 mm apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz da Polícia Militar, em Taguatinga, no mês passado. No relatório final do inquérito, encaminhado nesta quarta-feira (1) ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PC concluiu que a arma estava regularmente registrada e que não havia restrições impostas sobre a presença da arma na residência, mesmo durante o cumprimento da prisão domiciliar.
O relatório da Polícia Civil pede o indiciamento do segundo-sargento do Exército, Estácio Leite da Silva Filho, pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Segundo a investigação, embora tivesse porte funcional, o militar transportava uma arma registrada em nome de terceiro, sem autorização do proprietário e em desacordo com as regras do Estatuto do Desarmamento.
A investigação foi aberta após a apreensão da arma durante uma operação de fiscalização da Polícia Militar na noite de 15 de junho, em Taguatinga. Durante a abordagem, os policiais encontraram a pistola no interior do veículo conduzido por Estácio. O militar afirmou que o armamento pertencia a Bolsonaro e que seria levado para manutenção. A arma, um carregador e 30 munições foram apreendidos e submetidos à perícia, que concluiu que o equipamento estava apto para disparo.
O que disse Bolsonaro?
Em depoimento prestado à Polícia Civil, Bolsonaro afirmou que a pistola apresentou uma pane mecânica e que pediu ao sargento para verificar o problema. Segundo o ex-presidente, o militar retirou a arma da residência sem sua autorização e ele só tomou conhecimento do fato após ser informado da apreensão. Bolsonaro também disse que desconhecia qualquer restrição judicial que o impedisse de manter o armamento em casa e apresentou o certificado de registro da arma, posteriormente confirmado pelo Exército Brasileiro.
Estácio, por sua vez, declarou que foi chamado para verificar o defeito na arma e que, após solucionar o problema, aguardou autorização da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para devolvê-la. Como ela estava em viagem, decidiu levar o armamento consigo. Horas depois, foi parado em uma blitz e encaminhado à delegacia após os policiais encontrarem a pistola no veículo.
Na conclusão do relatório, a Polícia Civil afirma que não encontrou elementos que indiquem a prática de posse ilegal de arma por Bolsonaro. Para o delegado responsável, o fato de a arma estar registrada regularmente, somado à ausência de qualquer apreensão do armamento em buscas anteriores ou de restrições anotadas em seu registro, afasta a existência de crime por parte do ex-presidente.
Com o encerramento do inquérito, o procedimento foi remetido ao STF, que decidirá sobre os próximos passos da investigação em relação ao militar indiciado.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



