Na Itália, Zambelli tem comunidade para assinantes cancelada e pede novas doações
A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025 após ser condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão pelo envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ e na inserção de documentos falsos

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) disse nas redes sociais nesta quarta-feira (4) que a comunidade paga criada por ela para financiar sua permanência na Itália foi cancelada. O projeto da ex-parlamentar previa o pagamento de R$ 50 mensais dos apoiadores em troca de "conteúdos exclusivos". De acordo com ela, a plataforma devolveu e reembolsou integralmente os valores cobrados de todos os inscritos.
O anúncio do cancelamento foi feito pela própria ex-deputada em vídeo publicado na internet. Na gravação, Zambelli afirmou ter sido surpreendida pela interrupção do serviço e que ainda não sabe o motivo da suspensão.
O clube de assinaturas idealizado por Zambelli previa a oferta de uma programação exclusiva para os apoiadores pagantes. Entre as atrações prometidas estavam relatos detalhados sobre sua experiência no período em que permaneceu presa na Europa, histórias de bastidores políticos e transmissões ao vivo com convidados. O objetivo principal era gerar uma receita recorrente para arcar com seus custos de vida na Itália.
Sem a plataforma inicial, ela anunciou que tentaria a ajuda dos apoiadores através de outra ferramenta de vaquinhas, que permite doações anônimas.
A justificativa dada pela ex-deputada para pedir dinheiro é o impedimento de exercer atividades remuneradas no país. Ela afirma que a limitação acontece porque ela não consegue abrir uma conta bancária no território italiano, apesar de possuir cidadania.
Zambelli atribui o bloqueio bancário à inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e ao congelamento de seus bens decretado pela Justiça brasileira. "Eu não tenho vergonha nem de trabalhar e nem de pedir ajuda. Eu não tenho medo de trabalho, muito pelo contrário, já trabalhei em várias coisas, inclusive limpando banheiro", disse.
A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025 após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 10 anos de prisão pelo envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na inserção de documentos falsos.
Após chegar na Itália, Zambelli chegou a ficar presa por quase 10 meses. Em março deste ano, no entanto, a Justiça italiana negou o pedido de extradição formulado pelo governo brasileiro no caso do CNJ, autorizando que a ex-parlamentar aguardasse os desdobramentos em liberdade.
Atualmente ela responde a um segundo pedido de extradição encaminhado pelas autoridades brasileiras em razão de uma condenação por porte ilegal de arma de fogo em um episódio que aconteceu em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



