Flávio Dino afirma que não se 'curvará' à pressão dos EUA durante julgamento de Moraes
Magistrado citou notícias veiculadas na imprensa que descreviam ameaças de novas sanções a membros do Supremo Tribunal Federal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou que não se “curvará” a pressões exteriores durante o julgamento que pode levar o ministro Alexandre de Moraes à condição de investigado na Corte devido às suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A declaração aconteceu durante discussão sobre uma questão de ordem na sessão plenária, quando Dino comentou notícias veiculadas na imprensa que afirmavam que os Estados Unidos teriam decidido sancionar novamente membros do STF. Nominalmente, Moraes, Gilmar Mendes e o próprio Dino.
“Eu, presidente, reputo isso como de enorme gravidade jurídica, constitucional, que estamos no tribunal supremo de um país soberano. Portanto, esse ambiente de pressão ilegítima deve constituir alvo da indignação não do tribunal, mas de todos os brasileiros. Por uma razão assentada nos paradigmas das relações diplomáticas entre as nações soberanas, que é um princípio da reciprocidade”, defendeu.
Leia mais:
- Alexandre de Moraes diz ter provas de pressão por delação; Mendonça rebate: 'Mentira'
- 'Eu tenho testemunhas', diz Moraes sobre suposta tentativa de Mendonça de forçar delação
- Gilmar Mendes detona André Mendonça por afastar diretor-geral da PF: 'Tem que se algemar'
- André Mendonça se revolta com Gilmar Mendes: 'Não aponte o dedo pra mim'
- Alexandre de Moraes e André Mendonça batem boca em sessão do STF sobre Vorcaro e Master
- Em momento de tensão, Fux afirma: ‘Nunca se imaginou a PF peitar um ministro do STF’
- Gilmar faz provocações religiosas a Mendonça: ‘Em nome de Deus já se fez muita patifaria’
- Fachin rebate Dino e afirma que juiz natural do caso Master é o plenário do STF
- Dino critica Fachin por assumir relatoria de casos em meio à crise do STF
- Dino e Fachin trocam farpas sobre pedido de palavra e regimento interno
O ministro comparou a pressão sofrida com o julgamento da tentativa de golpe no 8 de Janeiro de 2023, que acabou por condenar, entre outros atores políticos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu quero dizer que da minha parte isso não altera rigorosamente nada. Nem no sentido de me curvar a pressões, porque, como disse há pouco, esta capa, essa toga, pertence ao povo brasileiro, não nos pertence. E ela tem muitos símbolos, um dos quais é este, da soberania nacional. Também não me impressiona, mas faço alusão porque há essa ideia falsa, e ao final ficará claro a razão de eu aludir a esse momento, a ideia falsa de que o tribunal deve se submeter”, afirmou.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



