A ministra da Cultura, Margareth Menezes, cobrou a sociedade, estados e municípios de participarem, ativamente, do combate ao feminicídio e de crimes contra meninas e mulheres.
Em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (6), em Belo Horizonte, ela afirmou que o governo federal tem feito a sua parte no combate aos crimes.
“A gente tem esperança de que esses movimentos reflitam na sociedade porque precisa ser um compromisso que não só o governo faz. Todos têm um papel nisso”, disse.
O combate à violência contra a mulher tem sido uma pauta frequente do governo Lula (PT), sendo bastante vocalizado pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
No início de fevereiro, Lula, em parceria com os poderes Legislativo e Judiciário, lançou o Pacto Nacional contra o feminicídio, em resposta à escalada da violência de gênero.
Na prática, o que muda é que os três poderes agora passam a atuar de forma coordenada para prevenir a violência.
Na última quarta-feira (4), o governo detalhou alguma das ações previstas, incluindo um sistema de rastreamento eletrônico de agressores em casos em que as vítimas tenham medidas protetivas.
Para efetivação do programa será criado o Centro Integrado Mulher Segura, que unificará dados e o monitoramento em tempo real, segundo informações do governo Lula. Até o momento, não há previsão de implementação dessas ações.
Tentativas de feminicídio e aumento na violência contra meninas e mulheres
No último ano, o país registrou o maior número de feminicídios da última década. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.568 mulheres mortas em razão de sua condição de gênero em 2025, o que representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram 1.492 casos.
Desde o início de janeiro, casos de violência contra meninas e mulheres, tentativas de feminicídio e a concretização do crime, de fato, tomaram conta dos noticiários.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Esmeraldas, no último dia 22 de fevereiro, André Gustavo dos Santos Borges, de 46 anos, atacou a ex-companheira, de 45, com golpes de motosserra e marteladas, após ela se recusar a sair com ele. A filha da vítima também ficou ferida após tentar defender a mãe.
Ele fugiu, mas foi morto durante um confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Ainda em fevereiro, uma jovem de 23 anos, foi encontrada morta em Juatuba, também na Grande BH, sem roupa, com sinais de violência sexual e estrangulamento.
Vanessa Lara de Oliveira Silva, estudante de psicologia, desapareceu após sair, no dia 9 de fevereiro, de uma agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine).
O corpo dela foi encontrado em um terreno no Centro da cidade, próximo de um local onde ela costumava pegar ônibus.
A Polícia prendeu Ítalo Jefersson da Silva, de 43 anos, como principal suspeito do crime. No momento da prisão, no município de Carmo do Cajuru, ele não apresentou resistência e teria dito que o homicídio não havia sido planejado.
Ítalo cumpria regime fechado na Comarca de Patrício pelos crimes de furto, roubo, tráfico de drogas e estupro.
No Rio de Janeiro, uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, Zona Sul da capital.
O caso ocorreu em janeiro, mas os suspeitos só foram presos há poucos dias.
Ao total, são cinco agressores — sendo um deles também adolescente e os outros quatro com idades entre 18 e 19 anos.
Evento em Belo Horizonte
A ministra participa, na capital mineira, de um evento promovido pela Ordem dos Advogados Seção Minas Gerais (OAB-MG), acontece na região da Pampulha. Além de Margareth Menezes, o evento contou com a presença da deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), a vereadora de BH, Dra. Michelly Siqueira (PRD-MG) e a modelo Luiza Brunet.