O prefeito do Rio de Janeiro,
Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta segunda-feira (19) que deixará o cargo para disputar o governo do estado nas
eleições de outubro deste ano. Foi a primeira vez que ele declarou publicamente a intenção de formalizar a candidatura, contrariando promessas anteriores de que concluiria o quarto mandato à frente da administração municipal.
Paes afirmou que pretende oficializar a saída da prefeitura até o Carnaval. Na mesma conversa, declarou que apoiará a
candidatura a reeleição do presidente Lula (PT), posicionando-se de forma contrária ao movimento do PSD, que tende a apoiar o governador do Paraná,
Ratinho Júnior, seu correligionário, na disputa pela presidência da república.
Com a iminente saída de Paes para concorrer ao Palácio Guanabara, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) assumirá a prefeitura da capital fluminense.
Além do atual prefeito, outros nomes são cotados para a disputa pelo governo do estado. Uma das opções no tabuleiro político era o deputado estadual e
ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
O parlamentar foi afastado da presidência do Legislativo após ser preso, em dezembro, sob suspeita de vazamento de informações sigilosas da
Operação Zargun, que tinha como alvo o ex-deputado TH Joias, investigado por suposta ligação com o
Comando Vermelho (CV).
Bacellar era o primeiro na linha de sucessão do atual governador do Rio,
Cláudio Castro (PL), caso ele renunciasse ao cargo para disputar o Senado. O estado não conta atualmente com vice-governador, após Thiago Pampolha deixar o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
De acordo com a Constituição estadual, em caso de impedimento ou vacância do governador, assume o vice-governador. Na ausência deste, o cargo é ocupado pelo presidente da Alerj.
Críticas a Bacellar e desafeto no PT
Após anunciar a pré-candidatura ao Palácio Guanabara, Paes criticou, em entrevista ao O GLOBO, um nome conhecido da Alerj: André Ceciliano (PT), atual secretário de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais do governo federal.
O prefeito comparou Ceciliano a Bacellar e afirmou que não pretende ser “refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém”.