Uma frase mal colocada, uma reação fora do esperado ou um gesto que desagrada o leitor. Para a difícil busca pelo voto, os candidatos à presidência da República ou aos governos estaduais precisam ter atenção redobrada com os debates eleitorais. Como mostra a história política brasileira, eles podem ser decisivos para eleger ou tirar do jogo candidatos ao poder.
São esses episódios que já ocupam um lugar de destaque na vida democrática brasileira, desde a eleição de 1989 (com embates marcantes entre Lula e Collor ou de Maluf e Brizola) até a última eleição municipal (quando uma cadeirada do José Luiz Datena em Pablo Marçal se tornou motivo de conversas em todo o país), os temas discutidos no livro “Debates Eleitorais: Prepare-se ou Morra”, lançado nesta terça-feira (10), às 19h, no Restaurante Tudo Legal, na Savassi.
Candidatos condenam ataque de Datena a Marçal com cadeira em debate | CNN Brasil
O livro, organizado pelo sociólogo Leonardo Lamounier, doutor em sociologia e ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo publicitário e cientista político Rodrigo Mendes, especialista em marketing político.
A obra reúne 20 artigos e textos de especialistas de vários campos do conhecimento, todos com ampla experiência em campanhas políticas.
“No Brasil hoje, a política está sendo discutida no dia a dia das pessoas. Então o grande público que gosta de política poderá conhecer melhor o mundo dos debates. Obviamente, quem vai ter mais interesse neste livro são as pessoas que trabalham com eleições e os próprios candidatos, mas é uma obra para o público geral”, conta Lamounier, em conversa com a coluna Poder em Minas.
Armadilhas e desafios
Os autores tratam de mudanças estratégicas na preparação dos debates, com exigências cada vez maiores para que os candidatos tenham bom desempenho neste momento de tanta tensão da campanha. Pelo menos, que sobrevivam ou escapem de ‘cascas de bananas’ que são lançadas ao vivo para rede nacional.
“Hoje, nesse mundo imediatista, temos a chamada economia da atenção, em que as pessoas não querem despender tempo com as coisas. Tudo tem que ser bem rápido, uma nova forma de comunicação. Os debates são importantes neste cenário. Como são eventos de risco, a possibilidade que o eleitor tem de comparar os candidatos ao vivo, podem surgir situações que consolidem o candidato ou derrubem o candidato. Por exemplo, a cadeirada no Pablo Marçal, em São Paulo, se tornou assunto de rodas, de botecos, das ruas, virou meme. Esse fenômeno era diferente, você cita o debate de 1989, ou debates de Nixon e Kennedy, em 1960, momentos clássicos, antes era preciso esperar o dia seguinte para ver a síntese do debate. Agora é tudo ao vivo, a repercussão on-line acontece em tempo real”, explica Lamounier.
O sociólogo destaca ainda que, com o avanço das pesquisas qualitativas, as equipes de campanha já conseguem desenhar uma estratégia com os objetivos dos candidatos para um debate específico. Antes de ir para o ar, no entanto, é preciso uma preparação bem feita, uma vez que o debate é o momento em que o candidato está exposto a ataques e provocações dos adversários.
“Muitos candidatos já chegam nos debates com estratégias para passar algumas informações para seus eleitores. Hoje temos muitas pesquisas e informações, então as estratégias são preparadas antes. Cada debate com sua particularidade e suas regras. O candidato deve estar preparado psicologicamente. Ele precisa passar por um treinamento rígido, em que vai ser colocado contra a parede. Dependendo da posição, ele precisa saber como se portar diante de determinadas situações”, conta.