Defesa de Bolsonaro pede arquivamento de ação no STM que pode expulsá-lo do Exército

Ex-presidente enfrenta ação no Superior Tribunal Militar que pode resultar na perda de seu posto e patente

O ex-presidente Jair Bolsonaro, em abril de 2022

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, na quinta-feira (5), ao Superior Tribunal Militar (STM) o arquivamento da ação que pode resultar na perda de seu posto e patente no Exército. A informação é da CNN Brasil.

O STM avalia se Bolsonaro, capitão reformado do Exército, e outros militares das Forças Armadas atuaram com indignidade para o oficialato após serem condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Em 3 de fevereiro, o Ministério Público Militar (MPM) pediu a perda da patente do ex-presidente e mais quatro oficiais generais que participaram do plano golpista.

Na manifestação, os advogados argumentam que os fatos que levaram à condenação de Bolsonaro não têm relação com o exercício de suas funções militares, mas com atos praticados durante o período em que ocupava a Presidência da República.

Com isso, sustentam que não houve interferência na cadeia de comando das Forças Armadas nem emissão de ordens militares ilegais que justificassem a declaração de indignidade.

“A transposição de atos presidenciais para o plano ético-militar exige demonstração de que houve efetiva utilização da estrutura castrense para fins de ruptura hierárquica, emissão de ordens ilegais ou estímulo direto à indisciplina interna”, argumenta a defesa.

Os advogados também afirmam que Bolsonaro já estava na reserva do Exército quando os fatos ocorreram, o que afastaria a possibilidade de impacto direto sobre a hierarquia ou a disciplina militar.

Além disso, eles também argumentam que a eventual perda da patente representaria uma dupla punição pelos mesmos fatos, uma vez que a conduta já foi analisada pelo STF na esfera penal e resultou em condenação de 27 anos e 3 meses de prisão.

“A vedação à duplicidade material de respostas estatais [...] impede que o mesmo núcleo fático, já submetido a juízo definitivo do Supremo Tribunal Federal, seja novamente utilizado para justificar consequência gravosa de idêntica natureza substancial”, afirmam,

A defesa pede que o STM reconheça a incompetência do tribunal para julgar o caso e arquive a representação.

Caso o processo avance, os advogados solicitam que seja afastada a declaração de indignidade e mantido o posto de capitão reformado do ex-presidente.

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Conteúdos produzidos pela redação de Brasília da Rádio Itatiaia

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