Câmara de BH aprova projetos contra violência digital e sexualização infantil
Em setembro do ano passado, o presidente Lula sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que busca coibir violações graves contra menores de 18 anos na internet

Os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) deram aval a dois projetos que envolvem a internet e o ambiente digital nesta terça-feira (13).
O primeiro deles, aprovado em definitivo, institui uma política municipal de prevenção e enfrentamento à violência digital contra crianças e adolescentes, criando diretrizes para combater práticas como exploração digital, os chamados deepfakes pornográficos, cyberbullying e a adultização infantil — termo que ganhou popularidade após um vídeo publicado pelo influenciador Felca denunciar uma rede de conteúdos envolvendo menores de idade.
O projeto, assinado pelo vereador Pedro Rousseff (PT), prevê que o município realize campanhas educativas sobre exposição on-line e uso responsável da inteligência artificial.
A outra proposta, também aprovada na Câmara, ainda precisará passar por uma segunda rodada de votação antes de seguir para sanção ou veto da prefeitura de BH.
O texto, de autoria do vereador Pablo Almeida (PL), cria uma política pública voltada à prevenção e ao enfrentamento da adultização e sexualização infantil, proibindo a veiculação de conteúdos que exponham crianças e adolescentes a conotações sexuais e impróprias para a idade em mídias digitais, eventos, espetáculos, peças publicitárias e atividades culturais.
A redação também veta a exposição de menores em figurinos, coreografias, roteiros ou contextos que sugiram sexualização, além da promoção de concursos e desfiles que incentivem padrões estéticos ou comportamentais adultos.
Para combater essas práticas, o autor também sugere que o Executivo promova campanhas de conscientização sobre os perigos do ambiente digital.
'Lei Felca'
Em setembro do ano passado, o presidente Lula (PT) sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que busca coibir casos de violações graves contra menores de 18 anos na internet.
Segundo o texto aprovado no Congresso, as empresas de tecnologia da informação devem adotar medidas para impedir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos que envolvam:
- exploração e abuso sexual;
- conteúdo pornográfico;
- violência física, intimidação sistemática virtual e assédio;
- incitação à violência física, ao uso de drogas, à automutilação e ao suicídio;
- venda de jogos de azar, apostas e produtos proibidos para crianças e adolescentes, como cigarros e bebidas alcoólicas; e
- práticas publicitárias predatórias, injustas ou enganosas.
A lei determina que, além das penas previstas no Código Penal, o ECA Digital prevê uma série de punições para as empresas infratoras, incluindo pagamento de multas e suspensão temporária ou definitiva das atividades no Brasil.
A medida também ficou conhecida nas redes sociais como “Lei Felca”, em homenagem ao influenciador, autor de um vídeo com mais de 51 milhões de visualizações.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



