30 anos da urna eletrônica: equipamento trouxe agilidade e segurança às eleições brasileiras
Antes de 1996, processo eleitoral era marcado por lentidão e vulnerabilidades; confiabilidade do sistema é reconhecida internacionalmente

O Brasil celebra três décadas de uma transformação histórica no sistema democrático. Desde a implementação, nas eleições municipais de 1996, a urna eletrônica consolidou o país como o realizador da maior eleição informatizada do mundo, com mais de 150 milhões de eleitores que exercem cidadania de diferentes cantos do país.
Como eram as eleições antes da urna eletrônica?
Há 30 anos, antes da chegada da urna eletrônica, o processo eleitoral brasileiro era marcado por lentidão e vulnerabilidades. As votações eram feitas com cédulas de papel depositadas em urnas de lona. Em seguida, os votos eram contados manualmente e a apuração do resultado eleitoral podia levar dias ou até semanas para ser concluída.
Além da demora, esse sistema também era mais suscetível a erros humanos e diversas formas de fraudes, como o preenchimento indevido de votos em branco, a troca de urnas físicas e a manipulação de resultados durante a apuração.
O que mudou? A urna eletrônica é segura?
Com a chegada da urna, a intervenção humana foi eliminada nas etapas de contagem de votos e totalização, que passaram a ser automáticas. O processo eleitoral se tornou, desde então, mais rápido e confiável. A confiabilidade do sistema brasileiro, inclusive, é reconhecida internacionalmente. A apuração eletrônica realizada pela urna baseia-se em um robusto aparato tecnológico. Atualmente, os sistemas eleitorais possuem cerca de 30 camadas de segurança, incluindo criptografia, assinatura digital e barreiras físicas.
Um ponto fundamental para a proteção contra ataques externos é que a urna eletrônica nunca é conectada à internet, ou seja, opera de forma off-line. Dessa forma, são impedidas quaisquer tentativas de invasões remotas. Além disso, o processo é amplamente auditável por meio de diversos mecanismos, como:
- Teste Público de Segurança (TPS): especialistas testam a resistência dos sistemas.
- Cerimônia de Lacração: garante a integridade dos programas antes do uso efetivo das urnas durante as votações.
- Teste de Integridade: realizado no dia da eleição para verificar se o voto digitado é o mesmo computado.
Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, a Polícia Federal e universidades acompanham todas essas etapas de fiscalização.
A transparência é garantida logo após o encerramento da votação, às 17h. A urna imprime o Boletim de Urna (BU), que registra publicamente os votos daquela seção antes mesmo da transmissão dos dados. Qualquer cidadão pode conferir o resultado afixado na seção eleitoral e compará-lo com os dados totalizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mesmo em um país tão grande e diverso como o Brasil, com cerca de 158 milhões de eleitores, a tecnologia alcança desde as grandes capitais até comunidades indígenas e ribeirinhas, onde a transmissão dos resultados pode ocorrer via satélite, assegurando que o direito ao voto seja exercido com a mesma eficiência em todo o território nacional.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



