Por que o PL nacional descartou a possibilidade de apoiar Simões em MG?
Cúpula do partido indicou que aliança com governador de Minas não avançará

São várias razões que explicam a decisão do PL nacional de se afastar da candidatura do governador Mateus Simões (PSD), posição defendida por um grupo no PL mineiro vinculado ao deputado federal Nikolas Fereira (PL). A primeira é o contexto na sucessão presidencial. Por um lado, as pesquisas internas conduzidas pela legenda indicam que o ex-governador Romeu Zema (Novo) não amplia o potencial eleitoral da chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, a radicalização do discurso de Romeu Zema dá o tom contrário ao que deseja a estratégia de marketing de Flávio Bolsonaro, que gostaria de passar a imagem de um “Bolsonaro moderado”.
Além dessas razões, há o contexto eleitoral em Minas Gerais. O governador Mateus Simões (PSD) tem diante de si dois palanques ligados à sua campanha eleitoral. Mateus Simões tem compromisso político com a candidatura presidencial de Romeu Zema. E também, sendo do PSD, terá a sua propaganda eleitoral vinculada à legenda e ao candidato presidencial Ronaldo Caiado. O PL considerou esse cenário nacional em sua decisão de não se coligar a Mateus Simões. Mas também avaliou o desempenho eleitoral dele: neste momento, Mateus Simões não pontua bem. Além disso, a sua candidatura encontra resistência junto aos segmentos da segurança pública, com a qual o PL não quer confronto. Diante do PL se encontram agora dois caminhos. O apoio à candidatura do senador Cleitinho, em coligação com o Republicanos na qual o PL indicaria a posição de vice na chapa. Os empresários Flávio Roscoe e Vittorio Medioli são os nomes cotados. Ambos também poderão, encabeçar chapas, na hipótese de o senador Cleitinho decidir não concorrer. As apostas foram lançadas.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora