Atlético cobrou Vorcaro sobre origem de aporte de R$ 300 milhões na SAF

Clube fez representação em outubro e deu prazo para que banqueiro explicasse origem de recursos

Defesa de Daniel Vorcaro contesta alegação de fuga e solicita revogação da prisão

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético cobrou esclarecimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre a origem de um investimento de R$ 300 milhões feito pelo empresário no clube.

Por meio de uma notificação, o clube oficializou a demanda em outubro do ano passado a Vorcaro e ao fundo Galo Forte, usado por Vorcaro para adquirir uma participação no Atlético.

Na comunicação, o clube concedeu ao banqueiro um prazo de 48 horas para fornecer informações sobre todos os beneficiários do fundo, além de Vorcaro, e sobre os outros fundos que também integravam a estrutura de participação.

Os investimentos em questão ocorreram em 2023 e 2024. Na primeira data, Vorcaro injetou R$ 100 milhões no clube e, posteriormente, mais R$ 200 milhões. Com o total de R$ 300 milhões, o fundo Galo Forte passou a deter 26,88% da Galo Holding S.A.

Na notificação, o clube mencionou a operação Carbono Oculto, da PF (Polícia Federal), que investiga a conexão entre empresários de postos de combustíveis e fintechs com o PCC (Primeiro Comando da Capital), uma das maiores organizações criminosas do Brasil.

“Recentemente, em decorrência de desdobramentos da operação denominada Carbono Oculto, surgiu na mídia a informação de que o Galo Forte seria, na verdade, controlado por fundos que supostamente teriam algum envolvimento com crimes de lavagem de dinheiro”, afirmava a mensagem.

A SAF ainda destacou que a possibilidade de o Galo Forte ser controlado por outros fundos surpreendeu o clube, pois era uma informação distinta da que Vorcaro havia fornecido anteriormente: a de que ele seria o único beneficiário.

Em consulta ao site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a SAF do Atlético constatou que a informação de que Vorcaro era o único beneficiário era “de fato incorreta”, e que o fundo tinha dois subscritores: uma pessoa física e um outro fundo de investimento.

Procurada pela reportagem, a diretoria do Atlético informou que já havia se manifestado sobre o tema em 16 de janeiro. Na nota, o clube informou que o fundo Galo Forte é um “veículo de investimento devidamente constituído e regular, operando em conformidade com a legislação vigente e registrado na CVM”.

Além disso, afirmou que não participa da gestão do fundo e que também não interfere em sua estrutura ou nas suas operações financeiras.

O clube acrescentou ainda que Vorcaro foi afastado do Conselho de Administração da SAF e que não exerce mais funções administrativas ou de governança na entidade.

A defesa de Vorcaro optou por não se pronunciar sobre o caso.

Leia também

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

Ouvindo...