O celular de um assessor do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) teria sido o pontapé inicial para que a Polícia Federal (PF) desse início a
De acordo com a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), mensagens apreendidas no celular do empresário João Paulo de Sousa Cavalcante, que foi preso e teve a quebra do sigilo telefônico autorizada, chamaram a atenção dos investigadores.
Em uma das conversas destacadas, o assessor releva preocupação com um suposto desvio de recursos para custear o aluguel de um curso de inglês de uma loja online, que estariam sendo bancados com recursos da verba de gabinete do deputado.
“Eu fico preocupado porque eu já falei pro Gustavo. Um dia eu chamei a atenção sobre a questão da escola de inglês, num é mais escola de inglês, mas fica tendo aula, sabe... descobri lá um dia eu nem sabia, aí a Letícia falou lá que tá tendo aula na terça e na quinta presencial, entendeu? Ou seja, a escola tá sendo paga com recurso público e tá sendo usada para um fim totalmente, que tipo, num existe né? Num tem como ser assim e aí eles vão levantou, ou seja, ainda não entenderam a gravidade, sabe?”, diz um trecho da mensagem enviada por João Paulo de Souza a um membro do gabinete.
De acordo com a PF, o espaço alugado, além de servir de gabinete político do deputado, também abrigava a escola de inglês ‘Gayer Language Institute’ e as atividades presenciais da loja “Desfazueli”, registrada em nome do filho do deputado.
“O levantamento da Polícia Federal constatou que, o espaço físico (…) locado com cota parlamentar seria utilizado não só para funcionamento da escola de inglês Gayer e Gayer Idiomas, mas também para o desempenho das demandas referentes à Loja Desfazueli.”, relatou o inquérito da PF.
Os investigados na operação são:
- Gustavo Gayer - deputado federal
- João Paulo de Souza Cavalcante - assessor e dono do portal Goiás Online
- Letícia Bruno de Araújo - chefe de
- Bruno Amaral Machado
- Joselene Maria Sergia Bastos
- Vanderly Araújo de Carvalho
O que diz o deputado
Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, Gayer disse não saber o motivo de ter sido alvo da operação. Além de negar as irregularidades apontadas pela PF, o deputado também reclamou de não ter acesso à investigação e ter sido acordado por policiais que teriam ‘esmurrado’ a sua porta.
“O que eu sei até agora é que esse inquérito foi aberto no mês passado, 24 de setembro, né? [...] Não dá pra saber nada, não dá pra ter nenhuma informação sobre o que se trata. Eu sei que alguns assessores meus também receberam a busca e apreensão. Um deles, inclusive, é um que trabalha com rede social, fazendo card e vídeo. Esse é o Brasil que a gente vive, gente. Esse é o Brasil que a gente está vivendo agora”, alegou o deputado.
Crítico ferrenho do STF e parte da tropa de choque do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gayer acusou o ministro Alexandre de Moraes de perseguição contra ele.
“Alexandre de Moraes, eu não sei se o senhor já percebeu, mas quando o senhor for mandar fazer uma busca e apreensão na casa de alguém, essa pessoa é como se recebesse naquele momento o carimbo de honesto. Como se naquele momento ela estivesse recebendo o carimbo de que é uma pessoa idônea, honesta, que luta pela democracia, que luta para libertar o Brasil”, criticou o deputado.