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Leilão para importação de arroz é anulado pelo governo após suspeitas sobre empresa vencedora

Decisão foi anunciada nesta terça-feira pelo presidente do Conab, Edegar Pretto, e contou com a orientação do presidente Lula

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, confirmou nesta terça-feira (11) que o leilão para compra de arroz importado, realizado na última quinta-feira (6), está anulado. Um novo leilão para compra de arroz deverá acontecer nos próximos dias, mas com novas regras.

A informação foi repassada por Pretto em uma coletiva de imprensa convocada às pressas na tarde desta terça, no Palácio do Planalto. Durante o pronunciamento, também foi confirmada a exoneração do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.

Um dos sócios da empresa que venceu um dos lotes do leilão é Robson Luiz de Almeida França, que atuou como assessor de Geller quando o político ainda atuava como deputado federal. Apesar de nenhuma irregularidade ter sido apontada, a preocupação está no fato de França ser sócio da Foco Corretora de Grãos - empresa responsável por arrematar 11 lotes do leilão para compra de arroz.

Além disso, França também é sócio do filho de Geller em uma empresa responsável por intermediar negócios agrícolas. Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, Geller pediu a exoneração nesta terça e o pedido foi aceito.

“Hoje pela manhã o secretário Neri Geller me comunicou, fez uma ponderação, quando filho dele estabeleceu sociedade com esta corretora do Mato Grosso, ele não era secretário de política agrícola. Não há fato que desabone ou que gere qualquer tipo de suspeita, mas que de fato gerou transtorno, e por isso colocou cargo à disposição”, disse Fávaro.

Como será o novo leilão
Ainda sem entrar em detalhes de como será o novo certame para a compra de arroz, o presidente da Conab definiu que haja uma mudanças nas regras para importação, a fim de tornar o leilão mais seguro e menos suscetível a fraudes.

“Pretendemos fazer um novo leilão quem sabe em outros modelos para que a gente possa ter garantia que vamos contratar uma empresa com capacidade técnica e financeira [...]. A decisão é anular este leilão e proceder um novo mais ajustado”, declarou Pretto.

A decisão de importar o arroz tem relação com as enchentes no Rio Grande do Sul. O estado é responsável por 70% e foi duramente afetado pela tragédia climática. Apesar dos argumentos apresentados pelo governo, produtores gaúchos alegam que 80% já havia sido colhido antes das inundações, portanto, não houve prejuízos para o abastecimento do mercado brasileiro.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, admitiu que a compra do arroz por parte do governo seria uma medida para evitar alta de preços.

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Repórter da Rádio Itatiaia em Brasília atuando na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas Gerais, já teve passagens como repórter e apresentador pela Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor do prêmio CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio.
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