Governo de Minas voltará a pagar dívida com a União

Impacto nos cofres do Estado pode chegar a R$4,8 bilhões neste ano

Cidade Administrativa de Minas Gerais

Sem a aprovação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e antes da queda das liminares que suspendem o pagamento do Estado com a União, o Governo de Minas vai voltar a pagar as parcelas a partir de julho.

Até o dia 30 de junho que, segundo o Governo de Minas, é o prazo estabelecido, o Estado vai aderir a um dispositivo da legislação vigente que prevê, além do retorno do pagamento da dívida, a desistência das ações judiciais que suspendem o pagamento das parcelas. Com isso, o impacto nos cofres do Estado só neste ano será de mais de R$4 bilhões.

O temor do Governo de Minas é de que essa liminar caia de repente e o prejuízo seja ainda maior.

A declaração sobre a retomada do pagamento foi dada pelo governador Romeu Zema (novo), em evento com o Ministério Público, nesta terça-feira (7).

Em Brasília, o secretário de Estado de Fazenda de Minas Gerais, Gustavo Barbosa, detalhou a situação.

“A partir do momento em que o Estado aderir ao artigo 23 da Lei Complementar 178 (a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já autorizou o Governo do Estado a aderir )há dois efeitos no pagamento de dívidas. O primeiro efeito é aquele que o artigo 23 fala: as dívidas não pagas em função de liminar, voltarão a ser pagas em um refinanciamento em 30 anos. Isso trará um impacto para o Estado de R$900 milhões a R$1 bilhão por ano”, disse Barbosa.

Em seguida, o secretário indicou outra consequência da adesão à lei Complementar 178.

“O segundo ponto é, no parágrafo quinto desse mesmo artigo 23, prevê que o Estado tem que desistir das ações de não pagamento de dívidas. Então, a partir do momento em que eu aderir ao artigo 23, eu tenho que desistir das minhas ações. Então, aquelas liminares (que impediam o pagamento da dívida) vão sair. A consequência disso é voltar a pagar. A partir do momento em que você tem que voltar a pagar a dívida com a União, esse impacto vai ser de R$4,8 bilhões neste ano, e subirá para R$10,8 bilhões ano que vem”.

Regime de Recuperação Fiscal

O Governo de Minas defende a aprovação do Regime de Recuperação Fiscal que está na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Segundo o Governo do Estado, em 2022, com a adesão ao artigo 23, o pagamento será de cerca de R$4,9 bilhões. Com a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, o valor seria de R$1,1 bilhão.

Já no ano que vem, o pagamento será de R$10,6 bilhões, enquanto com a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, segundo o governo, cairia para R$3,5 bilhões.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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