Relembre como foi a cobertura do rompimento da barragem de Brumadinho na Itatiaia

Tragédia socioambiental mobilizou diversos setores da sociedade civil em prol de apoio aos atingidos e respostas para o caso

Barragem da Vale em Brumadinho rompeu em 25 de janeiro de 2019

Brumadinho vivenciou uma tragédia sem precedentes em 2019. Quem viu o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, naquele 25 de janeiro, se assustou com a cena. A lama derramada a partir das 12h28 daquele dia arrastou tudo o que encontrou pelo caminho: pessoas, árvores, estradas e casas. A tragédia deixou 270 pessoas mortas — entre elas, duas grávidas.

Ao primeiro sinal de problema na estrutura da Vale em Brumadinho, a Itatiaia começou a cobertura do acidente socioambiental. Amanda Antunes, Edilene Lopes, Oswaldo Diniz e eu fomos os enviados da Itatiaia no momento em que a tragédia aconteceu.

A repórter Edilene Lopes ficou de olho no Rio Paraopeba, e percorreu o curso d'água atingido em cheio pela onda de lama e rejeitos da mineração.

“Fomos de Brumadinho a Pompéu, onde a lama chegou à barragem hidrelétrica de Retiro Baixo, que impediu que os rejeitos chegassem à represa de Três Marias”, relembrou Edilene, um ano depois da tragédia, quando repetiu o percurso a fim de verificar os rastros deixados pelos rejeitos.

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Busca por respostas e reparação

Mônica Miranda, por sua vez, acompanhou a busca dos familiares por respostas.

“Cada família vive a sua tragédia particular Ao longo de 2019, muitas procuraram respostas onde acreditavam que elas pudessem estar. A carta psicografada era um desses caminhos e, durante reuniões com leitura das cartas psicografadas, famílias buscaram esse conforto. Acompanhando algumas dessas reuniões, fui testemunha da alegria e da emoção dos familiares quando uma carta chegava e era lida pelo médium”, contou, tempos depois do acidente, ao rememorar as agruras enfrentadas por quem perdeu uma de suas joias — nome dado às vítimas do rompimento da barragem.

Em outra frente, os atingidos começaram a se mobilizar em busca de reparação. Priscila Mendes acompanhou etapas desse processo, que ainda não terminou.

“Uma força-tarefa foi criada para assegurar a reparação emergencial aos moradores das comunidades atingidas, ao meio ambiente e à incessante busca pelos culpados”, lembrou, à ocasião.

Depois do acidente, Renato Rios Neto foi para a sede do Instituto Médico Legal (IML), em Belo Horizonte. Ele acompanhou de perto o trabalho dos peritos da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em prol da identificação das vítimas.

“Após aquele fatídico 25 de janeiro, quando a barragem da Vale se rompeu em Brumadinho, a rotina do IML jamais voltaria a ser a mesma. O que fez com que o trabalho do órgão da Polícia Civil fosse mundialmente reconhecido. Foi uma das tragédias em massa com o maior número de identificação de vítimas”, apontou o jornalista policial.

A tragédia

Assim como aconteceu após o rompimento da barragem de Mariana, em 2015, nenhum responsável pela tragédia de Brumadinho foi preso. Em 2021, o governo de Minas Gerais e a Vale fecharam acordo de R$ 37,68 bilhões a título de reparação socioambiental pelos danos causados a reboque do derramamento de lama. O pacto não se relaciona com os acordos negociados individualmente junto a familiares de vítimas.

Três pessoas atingidas pelo rompimento da estrutura que armazenava os rejeitos minerários ainda são procuradas. Vinte e seis cidades e 131 comunidades rurais foram afetadas pelo desastre.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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