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Renan Calheiros propõe ‘pausa humanitária’ em rivalidade com Arthur Lira

Senador quer unidade entre lideranças políticas de Alagoas em prol de CPI sobre a Braskem

O senador Renan Calheiros

Renan Calheiros defende colegiado para apurar responsabilidades da Braskem por problemas em Maceió

Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), autor do requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem, anunciou nesta segunda-feira (11) que deve se reunir, na terça-feira (12), com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), às 11h, no gabinete do senador Omar Aziz (PSD-AM), para destravar a criação do colegiado. A ideia é que a CPI apure as responsabilidades jurídica, socioambiental e econômica da Braskem, em Alagoas.

Calheiros é aliado do governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB-AL), enquanto Lira, seu rival histórico, é próximo do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), que esteve em Brasília (DF) na semana passada, em busca de apoio federal nas agendas que não contaram com a presença do governador.

“Temos que juntar todo mundo, mas o prefeito tem que ficar contra a Braskem. O deputado Arthur Lira precisa ficar contra a Braskem. O Arthur Lira está defendendo que o governo edite uma Medida Provisória, com isso, ele quer transferir a responsabilidade criminal da Braskem para o governo, isso não pode acontecer”, disparou Calheiros, em entrevista à CNN Brasil.

Líder da Maioria no Senado, Renan Calheiros cobrou uma mudança no posicionamento do prefeito de Maceió e do presidente da Câmara. “Se ele (Lira) se dispuser a apoiar Alagoas, as vítimas, e encontrar uma solução para que a Braskem pague o último centavo que ela está devendo ao estado, nós faremos uma pausa humanitária. Ele (Lira) contará com o nosso apoio e o prefeito da mesma forma. Mas, se eles continuarem defendendo a Odebrecht, defendendo a Braskem, eles não contarão com o apoio nosso, de nós que estamos aqui defendendo esse encaminhamento”, enfatizou Calheiros.

O senador destacou que o governador de Alagoas convidou o prefeito de Maceió para uma reunião, nesta segunda-feira (11), para desfazer qualquer mal-estar entre os chefes dos executivos municipal e estadual. “Na semana passada, o governador chegou a entrar na Justiça para pegar informações da mina 18 junto à prefeitura e a Braskem. Desde setembro, a Braskem sabia que iria ocorrer esse colapso, e informou à prefeitura, que não informou ao governo do Estado e aos moradores”, repudiou Calheiros.

CPI da Braskem

No requerimento, Renan Calheiros defende a criação de uma CPI para investigar os danos ambientais causados em Maceió pela empresa petroquímica Braskem. Em entrevista à CNN Brasil, Calheiros defendeu que o senador Omar Aziz (PSD-AM) assuma a presidência do colegiado.

“Se for eleito presidente, ele (Omar Aziz) irá escolher, na forma da proporcionalidade, quem será o relator. Eu estou perfeitamente contente pela posição que já ostento de membro da CPI. Em relação a Arthur Lira, eu procurei a pausa a qualquer momento, desde que ele demonstre que está do lado do povo de Alagoas, contra o acordo que a prefeitura de Maceió fez. Esse acordo é pró-Braskem e contra o povo de Alagoas. A prefeitura está recebendo R$ 1,7 bilhão, que estão sendo retirados das vítimas, que não tiveram os pagamentos pelos direitos que foram atropelados pelo crime da Braskem”, afirmou o senador.

A CPI da Braskem deve ser instalada nesta terça-feira (12), em reunião marcada para às 15h, no Senado. Renan Calheiros pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o governo apoie a CPI.

“Eu pedi uma conversa com o presidente Lula, para que eu possa levar ao presidente a verdade dos fatos. Outro dia, o líder do governo, Jaques Wagner, me disse que tinha proibido o PT de assinar a CPI, e disse, depois, que não queria CPI e que o PT não iria indicar representantes, e que ele tinha preocupação disso resvalar na Petrobras. O pior da sua preocupação, Wagner, é que você desinforma o governo e o PT. E isso é muito ruim para que nós possamos, todos juntos, construir uma solução para Alagoas”, disparou Calheiros. O PT indicou o senador Rogério Carvalho (PT-SE) para ser integrante titular, e o líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (PT-ES) para suplente.

O Congresso Nacional deve encerrar as atividades no próximo dia 22 de dezembro, quando será iniciado o período de recesso parlamentar. As oitivas da possível CPI da Braskem deverão ocorrer apenas em 2024. “Nós podemos instalar a CPI amanhã, elegendo o presidente e vice-presidente da CPI. O presidente designará o relator, que fará o roteiro para a investigação. Na volta do recesso, faríamos as reuniões públicas”, destacou Calheiros.

Repórter da Itatiaia desde 2018. Foi correspondente no Rio de Janeiro por dois anos, e está em Brasília, na cobertura dos Três Poderes, desde setembro de 2020. É formado em Jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), com pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.
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