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Repatriado pede proteção ao governo brasileiro após ser ameaçado

Hasan Rabee ficou conhecido por gravar vídeos relatando angústias vividas em meio à guerra Israel-Hamas

Repatriado em meio à guerra entre Israel e o Hamas, Hasan Rabee relata ter recebido, ao menos, 200 ameaças em redes sociais desde que chegou ao Brasil na última segunda-feira (13/11). Ele ficou conhecido por gravar e postar vídeos relacionados à sua rotina de medo durante este conflito na Faixa de Gaza. A advogada que o assiste no Brasil protocolou pedido de proteção do governo brasileiro para Hasan.

A CNN Brasil teve acesso à parte das intimidações. Em algumas, Hasan é chamado de “terrorista”. Há menções também ao fato de Hasan ter aparecido ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o pouso do voo de repatriação, em Brasília.

Hasan e parentes estão em um abrigo no interior de São Paulo. No entanto, a família está com medo de sair de casa. Ele também tem evitado usar as redes sociais. “A gente saiu da guerra, fugiu da morte. Chegou aqui e encontrou outra guerra com ameaça e pressão”, disse Hasan à CNN Brasil.

O comerciante diz que, ao se deparar com as ameaças no Brasil, se arrependeu de ter feito os vídeos. “Eu me arrependi de gravar os vídeos e coloquei minha família em risco sem saber”, disse.

Hasan lamenta que ainda não conseguiu sair com as filhas para passear por medo de ser reconhecido. Enquanto estava em Gaza, as meninas pediam para ir ao shopping. Hasan chorou ao contar sobre isso em entrevista na CNN na terça-feira.

“É muita pressão. Minha esposa está com medo. A gente estava precisando ir para shopping, mas não tem como ir agora. São muitas mensagens de ameaça, mais de 200. Estou cansado demais”, contou.

Para Hasan, além do preconceito contra palestinos, ele virou alvo, principalmente, por agradecer ao governo federal e o presidente Lula. “O que estão fazendo é um jogo político porque eu agradeci o presidente Lula. Estão fazendo um jogo sujo comigo e minha família”, disse.

A advogada Talitha Camargo da Fonseca, que tem prestado assistência a Hasan Rabee, protocolou um pedido para que ele seja atendido no programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos.

“Os discursos de ódio são reiterados. Nós pedimos a proteção de defensores de direitos humanos porque, durante o conflito, por meio dos vídeos, ele encampou essa luta não apenas por ele, mas por outras pessoas”, disse a advogada.

À CNN Brasil, a advogada afirmou que também prepara uma petição ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para a escolta de Hasan e família. “Vamos também ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre essa situação e pedir escolta se necessário. Hoje, são haters, amanhã não sei o que pode acontecer”, pontuou a advogada.

A advogada também já compilou todas as ameaças recebidas por Hasan nas redes sociais e fará boletim de ocorrência. “Há crimes de perseguição, xenofobia, injúria racial, injúria e ameaça. Tudo isso em um volume considerável. Se antes ele tinha violência psicológica e física na guerra, essa violência segue porque tem a mãe e irmãs em Gaza e vem recebendo ameaças aqui”, disse Talitha.

É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
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