Apesar de defender que não há indicações políticas em sua gestão, o governo de Romeu Zema abriga dois dirigentes de seu partido, o Novo, nos quadros do governo do estado com remunerações que chegam a mais de R$ 46,1 mil por mês.
O vice-presidente da legenda em Minas Gerais, Frederico Papatella, está lotado como secretário de Estado Adjunto na Secretaria de Estado da Casa Civil desde julho de 2025 com salário bruto de R$ 32.947,18. O presidente da sigla no estado, Christopher Laguna, por sua vez, é assessor da Presidência da Copasa, com remuneração não divulgada no Portal da Transparência.
As nomeações vão contra o discurso público do Novo, de que não mantém indicações políticas e preserva os cargos do funcionalismo para servidores meramente técnicos. Logo no primeiro mês à frente do cargo, Frederico Papatella chegou a receber R$ 46,1 mil, próximo do teto do funcionalismo. Em meses posteriores, o salário bruto do dirigente do Novo variou entre R$ 32.947,18 e R$ 31.897,18.
Em nota, a gestão de Romeu Zema afirma que as nomeações para cargos de recrutamento amplo seguem “rigorosamente os critérios legais e administrativos aplicáveis”, considerando a “qualificação e a experiência profissional compatíveis com as atribuições das funções exercidas”. “As designações observam os normativos vigentes e estão em conformidade com a estrutura administrativa e os planos de cargos e remuneração dos órgãos e entidades envolvidos”, pontua o texto.
“A legislação não estabelece impedimento para o exercício de funções públicas por pessoas com filiação partidária, desde que atendidos os requisitos técnicos e legais exigidos para cada cargo. O Governo reafirma seu compromisso com a responsabilidade na gestão pública e com a melhoria contínua dos serviços prestados à população”, finaliza a nota.
À reportagem, Papatella afirmou que as designações obedecem à legislação e à qualificação exigida para cada função. “O compromisso do governo Zema é com eficiência administrativa e serviço de qualidade ao cidadão”, pontua.
Laguna ressaltou que não há ilegalidade nas nomeações e negou que as indicações de dirigentes partidários para o governo do estado sejam contrárias ao discurso do Novo. “Não, não vai contra o discurso, não. Todos que tem capacidade técnica estão em posições técnicas. Se você pegar os currículos de cada um, você vai ver que tem capacidade para fazer o trabalho executado em cada posição”, destacou.
Em nota, a Copasa informa que não precisa listar os vencimentos de Laguna na Transparência do governo, mas confirma que ele ocupa o cargo de assessor da Presidência na estatal.
“Por ser uma sociedade de economia mista de capital aberto, com ações listadas no segmento Novo Mercado da B3, a Companhia encontra-se em período de silêncio, conforme as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que restringe a divulgação individualizada de determinadas informações. Os dados sobre remuneração da alta gestão são divulgados de forma consolidada no Formulário de Referência, disponível nos canais de Relações com Investidores da Copasa e da CVM. A empresa reforça que as nomeações para cargos de confiança seguem critérios técnicos e observam o Estatuto Social e as regras de governança corporativa”, diz o texto.