Fatiamento da Reforma Tributária não está descartado, mas pode trazer ‘anormalidades’, diz Pacheco

O senador garantiu que o texto será promulgado até o fim do ano

Senador Rodrigo Pacheco durante sessão deliberativa de 8/11

O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não descarta a possibilidade de fatiamento da reforma tributária, mas avalia que pode haver algum tipo de “anormalidade” caso sejam promulgados apenas alguns pontos do texto. A declaração foi dada durante entrevista, nesta quinta-feira (9), em Brasília. “Não quero aqui fazer um contraponto negativo em relação a isso, estou dizendo é que, em tese, uma reforma tributária que envolve institutos que se complementam, em uma engrenagem que constitui o sistema de arrecadação do Brasil, pode haver algum tipo de perplexidade ou de anormalidade se promulgar uma parte e deixar de promulgar a outra, mas eu não estou fechando questão quanto a isso, eu não estou dizendo que isso seja impossível, nós vamos ouvir a consultoria. E a parte técnica, formal e material, é tanto da Câmara quando do Senado em relação a isso, sobretudo, os relatórios”, afirmou.

Pacheco comemorou a aprovação da matéria e disse que se o presidente votasse, o voto dele seria sim. “Eu considero o dia de ontem histórico para o Brasil, a aprovação no Senado da reforma tributária que era desejada há mais de 40 anos. Todos nós temos a compreensão da importância dela. Todos nós temos absoluta convicção de que o sistema tributário brasileiro precisava mudar e agora mudou com a aprovação”, comemorou.

O presidente afirmou ainda que a proposta é benéfica para Minas Gerais. "É evidente que se ao instituir um imposto único, ou sobre valor agregado, de nível nacional, acabando com a guerra fiscal, acabando com o acúmulo da atividade tributária, tributando no destino, isso tudo é muito positivo para o Brasil. Então, sendo positivo para Brasil será para todas as unidades da Federação e, evidentemente, e observando, no caso do Estado de Minas Gerais, não há perdas [...] Então é evidente que essa reforma tributária milita a favor dos 853 municípios de Minas”.

Bolsonaro

O parlamentar avaliou que a manifestação de Jair Bolsonaro (PL) contra a Reforma Tributária, que o ex-presidente avaliou como “comunista”, impactou na votação. Segundo o senador, o placar (53 a favor x 24 contra) já era esperado. “Certamente, naturalmente, que a posição de um ex-presidente da República ou de um líder político a favor ou contra a reforma pesa a favor ou contra a reforma. Ela é relevante. Talvez se não houvesse a manifestação do presidente Jair Bolsonaro nós tivéssemos mais votos no senado. Mas eu quero deixar muito claro e ressaltar que obviamente é livre a manifestação do pensamento e nós vivemos numa democracia e nós temos que respeitar as divergências. E a manifestação do presidente Jair Bolsonaro embora, nesse aspecto, eu não concordo com ela. É obviamente respeitada por nós”, afirmou.

Antes do recesso

Apesar dos votos contrários da oposição e mesmo não tendo conversado com o presidente da Câmara, Arthur Lira, após a última votação, Pacheco tem expectativa positiva em relação à tramitação entre os deputados. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada, em dois turnos, no Senado, nessa quarta-feira (9). E, como foi alterada pelos senadores, voltou para debate na Câmara dos Deputados. Pacheco garantiu que a promulgação será realizada até o fim do ano “antes do recesso parlamentar”.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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