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Mauro Vieira critica ‘paralisia’ do Conselho de Segurança da ONU

Ministro das Relações Exteriores participou da Cúpula da Paz, no Egito, neste sábado (21); ataques do Hamas em Israel completam 14 dias

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou a estagnação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante da crise humanitária disseminada em Gaza desde os ataques dos extremistas do Hamas em Israel há 14 dias e ponderou que a inação do órgão afeta milhões de pessoas. “A paralisia do Conselho de Segurança da ONU está prejudicando a segurança e as vidas de milhões de pessoas”, disse durante a Cúpula da Paz. A reunião convocada pelo governo do Egito aconteceu em Cairo, neste sábado (21), e reuniu representantes de países europeus e do Oriente Médio para diálogo sobre a questão humanitária no território palestino.

Fora o interesse diplomático do Brasil na discussão, o país está particularmente preocupado com a retirada de cerca de 30 brasileiros e seus familiares residentes em Gaza que estão à espera da abertura do corredor humanitário na passagem de Rafah, região fronteiriça entre o Egito e a Palestina. Durante a madrugada, no horário de Brasília, o trecho foi aberto e os primeiros caminhões com a ajuda humanitária internacional atravessaram em direção a Gaza. Antes do encontro em Cairo, o ministro do Itamaraty sustentou ser necessário pôr fim “a esse derramamento de sangue e a essa guerra”. Nos últimos 14 dias, 4.385 pessoas morreram na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais. Em Israel são, pelo menos, 1.400.

Ainda na intervenção durante a Cúpula da Paz, o ministro Mauro Vieira seguiu a tradição diplomática brasileira e sustentou um pedido de paz na região. “O presidente Lula me conferiu uma missão para esta reunião: somar a voz do Brasil à daqueles que pedem calma, moderação e paz”, afirmou. O chefe do Itamaraty tornou a classificar como terrorista a atuação do Hamas — repetindo a declaração do presidente brasileiro durante evento público nessa sexta-feira (20) — e ponderou sobre a gravidade dos bombardeios em áreas civis em Gaza, sem atribuí-los a Israel. "É inaceitável a destruição de estruturas civis, incluindo instalações de saúde. Testemunhamos consternados o bombardeamento do hospital Al Ahli-Arab e lamentamos as mortes das centenas de vítimas”, declarou citando o ataque à unidade de saúde em Gaza na última quarta-feira (18), ainda sem autoria confirmada.

Vieira também criticou a atuação militar israelense em Gaza, que sofre com a escassez de suprimentos médicos e cortes constantes de energia elétrica e no abastecimento de água. “Israel tem responsabilidades específicas, que devem ser cumpridas, no âmbito dos direitos humanos internacionais”, pontuou. O ministro reforçou, por fim, a declaração do presidente Lula de que a crise humanitária requer uma ação multilateral urgente.

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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